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Estado de Minas

Cronologia da crise econômica que levou a Argentina à moratória


postado em 22/05/2020 18:55

A Argentina, que passa por uma dura crise econômica exacerbada pela nova pandemia de coronavírus, entrou em default nesta sexta-feira, quase 20 anos depois de declarar a maior moratória da história, de mais de 100 bilhões de dólares.

Terceira maior economia da América Latina e membro do G20, a Argentina tem 33% de sua população em situação de pobreza e uma inflação anual superior a 50%.

Aqui está uma cronologia da atual crise econômica argentina:

- Desvalorização da moeda -

Em um período de 45 dias, entre abril e maio de 2018, o peso argentino desvalorizou 20%, apesar de várias intervenções do Banco Central, que elevaram a taxa de juros para 40% ao ano, venderam reservas internacionais e injetaram mais de 10 bilhões dólares para a economia.

- Ajuda do FMI -

Em 20 de junho de 2018, o FMI aprovou um empréstimo de US$ 50 bilhões para atacar o déficit fiscal e a queda da moeda. Em troca, o governo Mauricio Macri se comprometeu com um severo programa de austeridade.

- Austeridade -

Em 3 de setembro de 2018, Macri anuncia um plano de austeridade: elimina vários ministérios e restaura os impostos sobre as exportações agrícolas, o setor que gera mais divisas.

Em 25 de setembro de 2018, quando as autoridades se reúnem em Washington com o FMI, ocorre uma greve geral. O presidente do Banco Central, Luis Caputo, renuncia.

- Mais fundos -

Em 26 de setembro de 2018, o FMI aumentou sua ajuda para US$ 57 bilhões.

O Banco Mundial concede outro empréstimo por 950 milhões de dólares. A Argentina encerrou 2018 com inflação de 47,6%, a maior desde 1991. O peso perdeu metade do seu valor no ano.

- Candidato opositor, favorito -

Em 11 de agosto de 2019, o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández obteve 48% dos votos nas primárias e se tornou o favorito para as eleições presidenciais.

Em 14 de agosto de 2019, Macri anuncia um aumento no salário mínimo, a redução do imposto sobre o valor agregado (IVA) para o imposto de renda e alimentação, também congela os preços dos combustíveis.

Durante a semana, o peso argentino desvaloriza 20% e a taxa de juros atinge 80% ao ano.

Em 17 de agosto de 2019, o Ministro das Finanças, Nicolás Dujovne, renuncia.

- Emergência alimentar -

Em 1º de setembro de 2019, é estabelecido um controle cambial, que limita a aquisição de divisas para pessoas físicas a 10.000 dólares por mês e restringe as transferências de empresas para o exterior.

Em 19 de setembro, em meio a manifestações de movimentos sociais, o Parlamento aprova uma lei de emergência alimentar que permite aumentar os fundos destinados aos programas de ajuda aos mais desfavorecidos.

- Fernández presidente -

Em 27 de outubro de 2019, Alberto Fernández vence as eleições presidenciais.

No dia seguinte, Macri aperta os controles cambiais para impedir a queda nas reservas.

Em 26 de novembro de 2019, o presidente eleito anuncia que não solicitará o desembolso da última parcela do empréstimo do FMI, de US$ 44 bilhões.

Em 10 de dezembro de 2019, ao assumir a presidência, Fernández insiste que a Argentina "tem vontade de pagar" sua dívida externa, mas não possui os recursos.

- Medidas de emergência -

Em meados de dezembro de 2019, com uma dívida pública de US$ 323 bilhões (90% do PIB), o novo governo anuncia medidas de emergência, incluindo um imposto de 30% sobre compras e despesas em moeda estrangeira.

- Descumprimento seletivo -

Em 20 de dezembro de 2019, após o adiamento de um pagamento de US$ 9 bilhões, a Fitch e a S&P; rebaixaram a Argentina, considerando o país em "inadimplência seletiva" (devedor que não cumpriu parte de suas obrigações, mas paga seus outros empréstimos no prazo).

- Adiamento de pagamentos no país -

Em 6 de abril de 2020, a Argentina anunciou o adiamento até 2021 de pagamentos de juros e amortizações do principal da dívida pública em dólares emitidos no país, calculados em cerca de US$ 9,8 bilhões, por causa do novo coronavírus.

- Oferta a credores no exterior -

Em 16 de abril de 2020, o Ministro da Economia, Martín Guzmán, anuncia uma oferta a credores privados no exterior, que inclui reduções nas taxas de juros de 62% (US$ 37,9 bilhões) e do capital de 5,4% (US$ 3,6 bilhões), além de três anos de carência sem pagamentos, até 2023.

Os credores rejeitam a proposta e o governo estende o prazo das negociações de 8 para 22 de maio. Em 21 de maio, decide uma segunda extensão até 2 de junho.

- Default -

Em 22 de maio, vence o período de carência para pagar US$ 500 milhões dos três títulos incluídos na oferta reestruturação.

A Argentina descumpre o pagamento da dívida pela segunda vez neste século. No entanto, as negociações com seus credores continuam.

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