O Brasil ultrapassou neste sábado (16) as 15.000 mortes e os 230.000 contágios pelo novo coronavírus, segundo cifras oficiais que situam o país como o quarto com o maior número de casos de COVID-19.
Com 15.633 óbitos e 233.142 casos confirmados, o Brasil é o país latino-americano mais afetado pelo novo coronavírus, que já matou quase 310.000 pessoas no mundo.
Segundo especialistas, o número de casos, no entanto, pode ser até 15 vezes maior que o oficial, devido à falta de exames generalizados.
Neste sábado, um dia depois da renúncia do ministro da Saúde, Nelson Teich, o Brasil registrou 816 óbitos e 14.919 novos casos nas últimas 24 horas.
O estado de São Paulo, com 58.378 casos e 4.501 óbitos, é o epicentro da COVID-19 no país. No entanto, alguns estados do norte e do nordeste registram maior número proporcional de casos e decretaram medidas de confinamento mais severas em várias cidades.
Um balanço do Instituto Socioambiental contabiliza 340 casos entre indígenas e 21 falecidos em áreas não urbanas.
Apesar do avanço da pandemia no país, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar, mais cedo, as medidas de confinamento.
"O desemprego, a fome e a miséria será (sic) o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total", tuitou Bolsonaro neste sábado.
O oncologista Nelson Teich ficou menos de um mês no cargo. Ele tinha assumido em 17 de abril, depois de o presidente demitir Luiz Henrique Mandetta, que era favorável à manutenção das medidas de isolamento horizontal e que os protocolos de tratamento se baseassem em critérios científicos.
Bolsonaro defende a "volta à normalidade", com argumentos econômicos, e promove o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da doença.
Teich teria renunciado por "incompatibilidades" com o presidente, informou à AFP uma fonte do Ministério da Saúde. No entanto, o agora ex-ministro não comentou os motivos de sua saída.
Estava previsto que Bolsonaro, que não comentou a saída de Teich, fizessem na noite deste sábado um pronunciamento em rede de rádio e televisão. No entanto, a assessoria de comunicação da Presidência informou esta tarde que o presidente a cancelou.
A gota d'água para a saída do ministro aparentemente foi a pressão de Bolsonaro para que ele autorizasse o uso da cloroquina na fase inicial do tratamento de pacientes com COVID-19, apesar de os testes com esse medicamento não serem conclusivos sobre os seus benefícios.
Após a saída de Teich, o Ministério da Saúde informou que está concluindo novas orientações para atender os infectados pelo novo coronavírus.
"O objetivo é iniciar o tratamento antes do seu agravamento e necessidade de utilização de UTI (Unidades de Terapia Intensiva)", informou em nota o ministério, sem especificar a que tratamento se refere. O protocolo atual do Ministério da Saúde orienta o uso de cloroquina apenas em casos moderados ou graves.
Com a saída de Teich, o número dois do ministério, Eduardo Pazuello, assumiu a pasta interinamente até ser nomeado um substituto.
