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Estado de Minas

BCE disposto a reforçar e prolongar seu arsenal contra o coronavírus


postado em 30/04/2020 14:49

Diante da catástrofe econômica desencadeada pela pandemia de coronavírus, o Banco Central Europeu (BCE) informou nesta quinta-feira que está se preparado para reforçar seu programa de emergência e estendê-lo para além de 2020, após uma série de medidas excepcionais tomadas desde março.

"A zona do euro está enfrentando uma contração econômica de magnitude e velocidade nunca antes vistas em tempos de paz", disse a presidente da instituição, Christine Lagarde, em uma sala de imprensa vazia.

O BCE prevê um declínio entre "5 e 12%" do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro este ano, refletindo uma "grande incerteza" em torno do impacto econômico da pandemia, explicou.

Essa recessão violenta, cujas consequências sociais são impossíveis de avaliar no momento, será seguida por um "renascimento" econômico, à medida que as medidas de contenção se tornarem gradualmente mais flexíveis, mas "a velocidade e magnitude" dessa recuperação são "muito incerto", acrescentou.

A instituição mostrou nesta quinta-feira sua determinação em aumentar, se necessário, maciçamente a compra de dívida, decidida em 18 de março, no âmbito do programa de emergência do PEPP, dotado de 750 bilhões de euros até final do ano e estendê-la além de 2020.

- Empréstimos muito favoráveis -

O BCE confirmou grande parte das medidas adotadas em meados de março, cujo objetivo é impedir que as condições de financiamento se restrinjam e agravem o impacto econômico da crise.

A única mudança é que a próxima série de grandes empréstimos a bancos (chamada TLTRO) terá condições ainda mais favoráveis.

A taxa mais favorável cairá de -0,75% para -1%, no período de junho de 2020 a junho de 2021, para os bancos concederem empréstimos suficientes aos setores econômicos.

Com esta medida, o BCE quer estimular a distribuição de créditos para evitar a falência em cascata e as demissões que se seguem, sem alterar, no entanto, sua principal taxa de juros, que permanece em níveis recordes.

A instituição monetária lançará até setembro de 2021 uma série de empréstimos sem condições a bancos, propostos a uma taxa de -0,25%. Trata-se de uma medida destinada a pequenos bancos, promovida pelo Banco Federal Alemão, de acordo com uma fonte próxima ao BCE.

"A decisão de deixar todos os outros instrumentos inalterados mostra que o BCE quer ver o resultado das medidas recentes", mas "ele (BCE) tem um ás na manga" para reforçar sua ação, explica Carsten Brzeski, do banco ING.

- "Flexibilidade" -

Na compra de ativos, o BCE desembolsará 120 bilhões de euros adicionais entre agora e dezembro, no âmbito da flexibilização quantitativa ou "QE", um programa desenvolvido entre março de 2015 e o final de 2018, que foi reativado em novembro passado.

A agência também espera usar a "flexibilidade" do PEPP, prometeu Lagarde, no nível "classe de ativos", dos países afetados e "ao longo do tempo".

Esse arranjo excepcional permite ao BCE concentrar seus esforços nos países mais fracos, como a Itália. Nesse sentido, sob o PEPP, o banco não leva em consideração a regra que normalmente impede que ele compre mais de um terço da dívida emitida por um país.

Esses auxílios públicos implantados em toda a zona do euro criarão uma dívida soberana estonteante, estimada em um trilhão de euros, apenas para a Alemanha, França, Itália e Espanha, que o BCE tem capacidade de absorver.

Lagarde mais uma vez insistiu na "ação comum" na zona do euro, que "mostra solidariedade com os mais afetados pela crise atual.

Na semana passada, ela já havia alertado os líderes europeus sobre o risco de "agir muito pouco e muito tarde"


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