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Estado de Minas

Cinco anos após terremoto, reconstrução do Nepal ainda é precária


postado em 24/04/2020 12:25

Cinco anos após o terremoto que atingiu o Nepal, Krishna Maya Khadka continua a lamentar não apenas a perda do marido, mas também da casa da família.

Como centenas de milhares de vítimas, essa mulher de 68 anos vive agora em uma das pequenas casas com telha ondulada de zinco que apareceram nos antigos vilarejos do Nepal, destruídos na catástrofe.

Após o terremoto de magnitude 7,8, que causou quase 9.000 mortes em 25 de abril de 2015, a lenta reconstrução do país do Himalaia ainda está em andamento, desacelerada por disputas políticas e falta de fundos.

Pelo menos 25% das casas destruídas ainda não foram reconstruídas. As autoridades garantem que todas as demais serão concluídas este ano.

Quanto às vítimas que encontraram um teto, os fundos fornecidos pelo Estado não são suficientes para recuperar suas vidas do passado e devem se amontoar em casas pequenas, muito mais modestas do que as anteriores.

De acordo com os moradores das novas construções, como Krishna Maya Khadka, a alocação do governo de 300.000 rupias (2.270 euros) é insuficiente para construir estruturas de tamanho adequado, respeitando as normas de proteção contra abalos sísmicos.

"Quem tem dinheiro, não tem problemas. Já estão construindo. São os pobres, como nós, que sofrem", desabafa Krishna, que vive com sua filha, algumas cabras e galinhas no distrito de Sindhupalchowk, um dos mais atingidos, perto da capital Catmandu.

- Ajudar os mais necessitados -

Normalmente, os habitantes das zonas rurais do Nepal vivem em grandes casas de tijolos e barro com um, ou dois andares, espaço para as grandes famílias, animais e local suficiente para armazenar cereais.

No entanto, desde o terremoto, o número de casas com área entre 26m2 e 50m2 dobrou, de acordo com um censo de 2019.

Em Bhaktapur, uma cidade adjacente a Catmandu, Anjana Tajale está prestes a concluir a construção de uma pequena casa de dois quartos, onde morará com a família de sete pessoas.

Seus irmãos passaram o ano após o terremoto em um abrigo temporário, à sombra de sua casa destruída. Então, tiveram de vender suas terras ancestrais para financiar a construção de uma nova casa.

"Espero que o governo esteja ciente de como as pessoas estão reconstruindo, suas condições econômicas", disse Anjana Tajale à AFP. "Seria melhor se o governo entendesse isso e ajudasse aqueles que mais precisam", acrescentou.

As autoridades nepalesas defendem sua ação. Os valores alocados às famílias são importantes para um país pobre como o Nepal, diz Sushil Gyewali, diretor do Fundo de Reconstrução da Nação, com pouco mais de 8 bilhões de euros.

Os responsáveis pela reconstrução colaboram com as autoridades locais "para que quem quiser expandir possa fazê-lo", diz.

Algumas vítimas preferem voltar a se instalar em suas casas danificadas, ou construir extensões precárias nas terras próximas.

"Vemos a tendência das pessoas de expandir suas pequenas casas vertical, ou horizontalmente, para atender às suas necessidades", diz Minar Thapa Magar, coordenador nacional da plataforma de recuperação e reconstrução de moradias, que encomendou o estudo de moradias.

"Mas isso os torna ainda mais vulneráveis no futuro", lamentou.


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