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Estado de Minas

Talibãs rejeitam oferta de cessar-fogo e Otan pede redução da violência


postado em 24/04/2020 09:37

Os talibãs rejeitaram a oferta de cessar-fogo feita pelo presidente Ashraf Ghani por ocasião do Ramadã, que começou nesta sexta-feira (24) no Afeganistão - anunciou um porta-voz insurgente.

"Enquanto a vida de milhares de prisioneiros está em perigo, devido ao coronavírus, pedir um cessar-fogo não é racional, nem convincente", tuitou Suhail Shaheen, um dos porta-vozes dos insurgentes.

Ele também acusou o governo de "colocar obstáculos no processo de paz".

Há semanas, reina uma forte tensão entre Cabul e os rebeldes por causa da troca de 5.000 detentos talibãs por 1.000 membros das forças de segurança afegãs. Este é um ponto-chave do acordo assinado no final de fevereiro por Washington e pelos insurgentes, mas que não foi ratificado pelas autoridades afegãs.

No texto, os Estados Unidos prometem retirar em até 14 meses as forças estrangeiras estacionadas no Afeganistão, sob a condição de que os talibãs cumpram seus compromissos de segurança e iniciem negociações "interafegãs" sobre o futuro do país.

Até o momento, o governo afegão libertou centenas de detentos talibãs, e os rebeldes, dezenas de prisioneiros que estavam em seu poder.

A soltura desses presos não significa, porém, que as negociações começarão em breve, já que os talibãs continuam sua ofensiva contra as forças afegãs em todo país.

Em uma mensagem por ocasião do Ramadã, o presidente Ashraf Ghani estimulou os talibãs a aceitarem seu pedido de "trégua e paz e a renunciarem à violência para respeitar" o mês sagrado muçulmano, enquanto a COVID-19 "se propaga por todo país".

Há anos fazendo pedidos desse tipo, o presidente Ghani conseguiu a suspensão de três dias de combates, em junho de 2018, por ocasião do Eid al-Fitr, um feriado muçulmano que marca o fim do Ramadã.

Nesta sexta, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reforçou o pedido do governo afegão, pedindo a redução da violência no país.

"O atual nível de violência causado pelos talibãs não é aceitável. Pedimos urgentemente que os talibãs reduzam a violência", diz uma declaração conjunta dos 30 países da Aliança Atlântica.

Considerando o processo de negociação como uma "oportunidade histórica", a Otan pediu aos talibãs que iniciem "sem mais demoras as negociações" com o presidente afegão, visando a alcançar a paz no país.

A organização também solicita a ambas as partes que demonstrem "boa vontade em acelerar a libertação de prisioneiros" e a aceitar o "apelo da comunidade internacional para um cessar-fogo imediato por motivos humanitários".


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