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Estado de Minas

Dividida, UE busca 'Plano Marshall' para reconstrução pós-COVID


postado em 22/04/2020 12:25

A criação de um "Plano Marshall" europeu, para superar a profunda recessão decorrente da pandemia de coronavírus, está no topo da agenda da cúpula de líderes da União Europeia (UE), nesta quinta-feira (23).

No intuito de relançarem suas economias, os países-membros do bloco terão, primeiramente, de superar suas diferenças sobre como fazer isso.

"A UE precisa de um esforço de investimento similar ao Plano Marshall para impulsionar a recuperação e modernizar a economia", diz um mapa de rota inicial elaborado pelos presidentes da Comissão e do Conselho Europeus, Ursula von der Leyen e Charles Michel, respectivamente.

Apesar das várias propostas já apresentadas por diferentes países da UE, o resultado da cúpula pode acabar se limitando a encarregar a Comissão de apresentar, em uma semana, o plano de recuperação com o futuro orçamento do bloco como pilar central.

"Ninguém deveria ter expectativas exageradas para esta reunião", advertiu um diplomata europeu.

Para o governo francês, "não se avançará", nem no orçamento comum, nem no fundo de recuperação, "sem uma reunião física" dos presidentes, provavelmente "em junho".

A comparação com o plano dos Estados Unidos para reconstruir a Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial não é trivial, sobretudo, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) adverte para a maior recessão global desde a Grande Depressão dos anos 1930.

Em seu conjunto, o Produto Interno Bruto (PIB) dos 19 países do euro se contrairá 7,5% em 2020, segundo o FMI, que antecipa duras quedas nas primeiras economias europeias: Alemanha (-7%), França (-7,2%), Itália (-9,1%) e Espanha (-8,0%).

Para superar a crise, o consenso parece passar por criar um fundo de recuperação, mas os detalhes sobre seu montante, financiamento, ou eventual vínculo com o futuro Marco Financeiro Plurianual (MFP) 2021-2027, em negociação, estão em aberto.

Como pano de fundo, essas discussões têm a vida de milhões de pessoas ainda em situação de confinamento na Europa, com estabelecimentos comerciais fechados e setores da economia entrando em colapso pela desaceleração provocada pela pandemia.

No Velho Continente, o coronavírus já deixou mais de 110.000 mortos em mais de 1,2 milhão de casos de contágio confirmados.

Itália, Espanha e França - os países da UE mais afetados, com mais de 20.000 óbitos cada - pedem a seus sócios que emitam uma dívida comum, mediante diferentes opções, para a recuperação. Enfrentam, porém, as tradicionais reservas do Norte.

Menos castigados pela COVID-19 e com uma economia menos abalada, países como Alemanha e Holanda se opõem a qualquer mutualização da dívida, alegando que os vizinhos do sul não foram tão rigorosos em matéria fiscal em tempos de bonança.


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