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Estado de Minas

Convento de capuchinhos da França paga um alto preço por causa da pandemia


postado em 18/04/2020 12:49

"Tivemos que abrir lugares na câmara mortuária", resume Hubert Le Bouquin. Em três semanas, esse frade viu morrer cinco dos 11 irmãos do convento capuchinho de Crest, no sudeste da França, por causa do novo coronavírus.

Esse ex-enfermeiro de 64 anos vive normalmente na Argélia, onde é vigário geral do bispo de Orã, no noroeste do país africano. No entanto, estava de visita próximo à Crest no início do confinamento, e foi chamado para ajudar o pessoal da saúde que atendia aos frades do convento.

Quase todos os irmãos ficaram doentes. Os mais jovens se recuperaram pouco a pouco, mas os mais velhos não sobreviveram.

Três dos mortos testaram positivo para a COVID-19. Os outros dois mortos também sofriam da doença, provavelmente. Um sexto, o irmão Marc, de 84 anos, continua no hospital.

"Mas está melhorando", disse Hubert Le Bouquin.

O primeiro a morrer foi Emmanuel, de 94 anos, no último 25 de março, no convento. O vigário, que acabou por ajudar como enfermeiro, acompanhou os seus últimos momentos.

"Tinha todos os sintomas. Era mais velho, tinha um quadro médico complicado. O levei para jantar às 19H30, tomou uma sopa e comeu uma conserva. Saí do local e quinze minutos depois ele agonizava. Morreu rapidamente", lembra.

No final de semana seguinte, Pierre, de 85 anos, e Armand, de 78 anos, morriam no hospital. Foram enterrados no mesmo dia na câmara mortuária do convento, que de repente já não tinha mais lugares livres.

"Fizemos o que se chama de redução do corpo (juntar esqueletos). Para ter mais lugar para os mais jovens", disse de forma triste o irmão Hubert, lembrando que os frades "já tinham pagado um preço alto" por causa da saúde frágil após anos de missão na África.

Depois morreu Marcel, de 99 anos, o jardineiro do convento. Não tinha nenhum sintoma.

"Mas viu todo mundo morrer e se foi. Nós vemos dessa forma: ele pensou que também já tinha chegado a hora de ir", suspira o irmão Hubert, que o conhecia há 40 anos.

Quinze dias antes de morrer, esse religioso, quase centenário, ainda fazia o seu trabalho na horta do convento. Os sobreviventes continuam comendo as verduras plantadas por ele.

Outro irmão, também chamado Pierre, de 85 anos, morreu no dia 9 de abril, justo antes da Páscoa. Era poeta e durante muitos anos foi trovador no convento.

"Um, dois, três, quatro, cinco mortos em 10 dias. É muito. Acompanhá-los, vê-los sofrer e levá-los ao cemitério tem sido difícil", diz Hubert.

A comunidade capuchinha, tradicionalmente consagrada para a atenção aos mais pobres, é composta por frades mais idosos na França e os irmãos são cada dia menos numerosos.


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