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Estado de Minas

Israel afunda na crise política


postado em 16/04/2020 09:07

Após um novo fracasso das negociações entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu ex-rival Benny Gantz, o presidente israelense Reuven Rivlin solicitou nesta quinta-feira (16) ao Parlamento que encontre um candidato para formar o novo governo e encerrar um ano de crise.

Após as eleições legislativas de 2 de março, as terceiras em menos de um ano e que deveriam decidir a disputa entre Netanyahu e Gantz, o presidente Rivlin atribuiu ao último a missão de formar o Executivo.

Mas, em plena pandemia do novo coronavírus, Benny Gantz, do Partido Kahol Lavan ("Azul-Branco"), surpreendeu ao abrir o caminho para um governo de "união e emergência" com Netanyahu, acusado de corrupção.

Isto gerou a esperança de um acordo para muitos israelenses, ao mesmo tempo que várias pessoas criticaram Gantz, ex-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, por uma rendição rápida.

Ainda assim, eles não conseguiram chegar a um acordo para formar um governo de união dentro do prazo estabelecido pelo presidente.

"Informo que não vejo a possibilidade de formar um governo e que confio a formação do governo ao Knesset", o Parlamento, escreveu nesta quinta-feira o presidente Rivlin.

Como determina a lei de Israel, o Parlamento tem três semanas para recomendar um deputado que enfrentará o desafio de formar o governo.

Os negociadores do Likud, partido de direita liderado por Netanyahu, e do Azul-Branco, a coalizão de centro-direita de Gantz, anunciaram que, apesar do prazo legal ter expirado, devem continuar negociando.

Em um eventual governo de união, eles terão de compartilhar ministérios. Com um primeiro-ministro a ponto de ser julgado por corrupção e fraude em uma série de casos, a coalizão de Gantz deseja um "controle total" sobre as nomeações judiciais, explica Jonathan Rynhold, professor de Ciência Política na Universidade Bar-Ilan.

"A questão central está na esfera legal", acrescenta, antes de explicar que o primeiro-ministro quer assegurar, em caso de rodízio de poder com Gantz, que poderia permanecer no governo.

A legislação israelense permite que um chefe de Governo indiciado permaneça no cargo, mas não um ministro.

As negociações também esbarram no temor de Netanyahu de que o Supremo Tribunal o declare inapto para governar, devido às acusações que pesam contra ele, e que todo mandato do primeiro-ministro fique para Gantz.

Netanyahu teria procurado garantias a respeito, o que - dizem analistas - Gantz recusou.

Ao mesmo tempo, vários analistas políticos questionam se Netanyahu, que seria julgado por corrupção em março e viu o processo adiado em consequência da pandemia do novo coronavírus, está realmente disposto a compartilhar o poder com Gantz.

O chefe de Governo poderia optar por prolongar o bloqueio e provocar a convocação de novas eleições legislativas. Seria a quarta votação no país sem a formação de um governo.

Enquanto isso, Netanyahu, 70 anos, permaneceria no poder à espera de uma definição sobre seu futuro político.

O primeiro-ministro israelense, o político que permaneceu mais tempo no cargo desde a criação do Estado hebreu, está fortalecido no momento por pesquisas que mostram sua liderança. Ele é bem aprovado, em particular, por sua gestão da crise da COVID-19, que registra mais de 12.000 casos e 130 mortos em Israel.

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