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Estado de Minas COVID-19

Coronavírus: primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deixa a UTI

Ele foi transferido na tarde de ontem dos cuidados intensivos à sala geral, onde estará sob estreita vigilância na fase inicial de sua recuperação


postado em 10/04/2020 04:00

Premiê foi duramente criticado por ter demorado a determinar medidas de distanciamento no Reino Unido(foto: Daniel Olivas/AFP)
Premiê foi duramente criticado por ter demorado a determinar medidas de distanciamento no Reino Unido (foto: Daniel Olivas/AFP)


LONDRES – O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que está há quatro dias hospitalizado com COVID-19, deixou ontem a unidade de cuidados intensivos (UTI) e prosseguirá sua recuperação no hospital Saint Thomas, em Londres. O único líder de uma grande potência doente com o coronavírus, Johnson, de 55 anos, estava desde a segunda-feira na UTI desse hospital, perto de Westminster, às margens do Tâmisa.

As mensagens durante o dia haviam sido animadoras: “seu estado de saúde continua melhorando”, “continua dando passos positivos”, “está de bom ânimo“, afirmaram um porta-voz de Downing Street, residência oficial do premiê, e o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, que o substitui provisoriamente à frente do Executivo.

Ontem, chegou a notícia que tranquilizou o país, e que aparentemente deixa o premiê fora de perigo. “O primeiro-ministro foi transferido esta tarde (ontem) da unidade de cuidados intensivos para o pavilhão, onde terá estreita vigilância durante a fase inicial de sua recuperação”, explicou o porta-voz de Downing Street. O Executivo havia anunciado e repetido que o líder conservador não precisou de respirador e não teve pneumonia diagnosticada. Mesmo assim, apresentaram como um grande progresso ter se sentado na cama e conversado, o que leva a crer que chegou a ficar bastante abalado.

QUARENTENA
Johnson anunciou que tinha a COVID-19 em 27 de março e imediatamente adotou quarentena em seu apartamento em Downing Street. Mas 10 dias depois, enquanto outros doentes conhecidos, como o príncipe Charles – herdeiro do trono, de 71 anos – haviam se recuperado, ele continuava tendo sintomas, entre os quais, febre.

Seus médicos decidiram interná-lo no domingo no Saint Thomas para submetê-lo a exames, mas um dia depois seu estado de saúde se agravou e precisou ser transferido para a UTI, que agora deixa para trás. Antes, deixou instruções muito claras do caminho a seguir na luta contra a pandemia, que a cada dia ganha terreno no país. O Reino Unido tem quase 8 mil mortos, com 881 novas vítimas registradas ontem.

CONFINAMENTO
Se se recuperar rapidamente, poderia inclusive participar da próxima decisão crucial que o Executivo deve tomar: estender o confinamento. Muito criticado por ter tomado medidas de distanciamento social mais tarde que seus principais vizinhos europeus, Johnson mudou o rumo de uma estratégia inicial, aparentemente destinada à imunidade coletiva e em 23 de março ordenou aos britânicos para ficarem em casa.

Uma “medida excepcional para circunstâncias excepcionais”, disse em discurso solene transmitido pela televisão, prometendo que seria revista após três semanas. O prazo vence na segunda, mas a decisão chegará mais tarde: “ao final da próxima semana”, anunciou ontem o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab.

Raab acabara de presidir o comitê governamental de resposta à crise, conhecido como COBRA, que começou a analisar os dados disponíveis para determinar quanto mais as medidas devem durar. O confinamento no Reino Unido é menos estrito do que em outras nações. Seus moradores estão autorizados a sair para trabalhar – caso seja absolutamente necessário –, fazer compras, ir ao médico e fazer exercícios, algo proibido, por exemplo, na Espanha.

Os exercícios físicos estão teoricamente limitados a uma vez por dia, mas diferentemente da França, não requer levar consigo uma justificativa por escrito, não há controle efetivo da polícia e os parques estão abarrotados de pessoas correndo. Com a chegada do feriado da Páscoa e do tempo bom, as autoridades temem que proliferem as viagens e os piqueniques, e começaram a multiplicar as mensagens insistindo em que as pessoas fiquem em casa.

“Lamento muito”, disse Raab, pedindo aos britânicos que nestas datas se abstenham de visitar a família. Convencido de que o esforço dará resultados, disse que “ainda não conseguimos”. “Após todos os sacrifícios feitos por tanta gente, não vamos arruinar tudo agora”, disse. “Este é um esforço de equipe”, destacou.

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