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Estado de Minas

Final do confinamento e euforia em Wuhan, berço da COVID-19


postado em 08/04/2020 08:31

Em uma atmosfera de libertação e euforia, milhares de viajantes correram nesta quarta-feira (8) para deixar Wuhan, a cidade chinesa onde surgiu a pandemia de COVID-19, após o levantamento de um bloqueio de dois meses e meio.

À meia-noite, a quarentena imposta aos 11 milhões de habitantes da capital da província de Hubei terminou e milhares de passageiros começaram a lotar as rodoviárias e estações de trem, alguns vestindo roupas de proteção integral.

Hao Mei, natural de Enshi, cidade 450 quilômetros a oeste de Wuahn, explica que teve de deixar seus dois filhos sozinhos por mais de dois meses, pois ficou presa no final de janeiro em Wuhan, onde trabalha em uma cantina escolar.

"Acordei às quatro hoje. Me sinto tão bem!", exclama esta mulher de 39 anos, antes de pegar um trem.

"No começo, chorava todas as noites. Me sentia mal, porque minha filha ainda é muito jovem. Ela tem apenas dez anos", contou.

As autoridades acreditam que cerca de 55.000 pessoas deixarão Wuhan de trem nesta quarta-feira.

Inúmeros carros e ônibus passavam pelos pedágios nos limites da cidade depois que os controles das estradas foram suspensos, segundo a AFP.

Wuhan é de longe o local mais atingido pela epidemia na China. Quase 2.500 pessoas morreram nesta cidade, do total de mais de 3.330 mortes registradas oficialmente em todo país.

Esta cidade, onde o novo coronavírus apareceu no final de 2019, foi a primeira no mundo a sofrer isolamento draconiano com todos os seus habitantes confinados.

- 'Cidade de heróis' -

As autoridades de saúde acreditam que um mercado em Wuhan, onde eram vendidos animais vivos exóticos, foi o foco da transmissão do vírus ao homem.

O restante da província de Hubei, da qual Wuhan é a capital, também ficou em quarentena entre o final de janeiro e o final de março, afetando dezenas de milhões de pessoas.

Com a disseminação do vírus em todo mundo, vários países adotaram medidas semelhantes. Hoje, metade da humanidade está confinada, de uma forma, ou de outra.

Em Wuhan, a quarentena parece ter valido a pena, após uma redução drástica nos casos de contaminação e de mortes na China nas últimas semanas.

Na terça-feira, a China anunciou pela primeira vez zero morte pelo novo coronavírus desde o surgimento da pandemia.

Existem, porém, dúvidas sobre a confiabilidade dos números oficiais de óbitos. Várias famílias indicaram que as pessoas mortas em suas casas não foram contabilizadas, ou não foram testadas no início da epidemia, quando os hospitais estavam transbordando.

"Wuhan merece ser chamada de cidade de heróis", proclamava uma mensagem divulgada nesta quarta-feira em uma estação da cidade.

"O povo de Wuhan pagou um preço muito alto", disse à AFP Yao, de 21 anos, embarcando em um trem para Xangai (leste), onde trabalha em um restaurante.

- Código verde -

Em uma estação, um robô circula no meio da multidão de passageiros, pulverizando desinfetante em seus pés, enquanto emite uma mensagem gravada, na qual todos são orientados a usar máscara.

Os passageiros devem passar por controles de temperatura e mostrar um código QR verde em seu smartphone. Este é entregue pelas autoridades e mostra que você não está contaminado, nem mora em um bairro ainda considerado de alto risco.

O aeroporto da cidade também retomou as operações.

A imprensa chinesa saudou por unanimidade o levantamento da quarentena. Com uma manchete recorrente: "Wuhan, feliz em vê-la novamente depois de todo esse tempo".

Apesar da suspensão do bloqueio, o retorno à normalidade não será imediato.

Várias restrições serão mantidas para evitar uma segunda onda epidêmica. As escolas ainda estão fechadas. E os habitantes são orientados a não deixarem a cidade, ou mesmo suas casas.

Além disso, dado o temor gerado pelos habitantes de Wuhan em outras partes do país, quem quiser sair terá de passar por uma quarentena de 14 dias na cidade de destino.

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