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Estado de Minas

Bilhões de dólares em ações paliativas para conter pandemia do coronavírus


postado em 11/03/2020 18:25

O Covid-19, já declarado como uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), abala os grandes atores econômicos do planeta, que investem dezenas de bilhões de dólares numa tentativa de evitar um desastre.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta quarta-feira (11) que o novo coronavírus agora pode ser descrito como uma pandemia e denunciou "níveis alarmantes de disseminação e "inação" em todo o mundo.

"Nunca vimos uma pandemia causada por um coronavírus", disse o chefe da OMS.

"Nos próximos dias e semanas, esperamos um aumento de casos, mortes e países afetados", previu.

O novo coronavírus perturba cada vez mais a vida diária da população em muitos países.

Depois de Wuhan, capital da província chinesa de Hubei e epicentro do coronavírus, onde quase 57 milhões de pessoas estão isoladas, a Itália agora é o principal foco do surto no mundo e o primeiro da Europa, com medidas preventivas cada vez mais draconianas e abandonada por turistas e companhias aéreas.

Até o momento, foram registrados no território italiano 12.462 casos (2.313 novos) e 827 mortes -196 a mais que no dia anterior, o que faz do país o segundo em número de diagnósticos positivos no mundo.

Toda Itália está proibida sair de casa a menos que seja para trabalhar, comprar comida ou ir ao médico.

Do Coliseu à Torre de Pisa, o governo italiano fechou as portas de todos os museus e monumentos. Os bares e restaurantes fecham às 18H00.

- 124.101 infectados -

O número de pessoas infectadas com Covid-19 no mundo chegou a 124.101, das quais 4.566 morreram em 113 países e territórios, segundo um balanço da AFP baseado em fontes oficiais divulgados até as 17H00 GMT (14H00 de Brasília) desta quarta.

Nas últimas 24 horas, 6.761 novas infecções e 315 mortes foram diagnosticadas.

Em número de casos, a Itália é seguida pela Espanha (com 2.140 e 48 mortes), França (1.784 e 33 óbitos), Alemanha (1.567 e 3) e Suíça (642 e 4).

No resto do mundo, 43.323 casos de pessoas infectadas (6.737 novas infecções) foram registrados até as 17H00 GMT, dos quais 1.408 faleceram (293 novos).

Por região, a Ásia teve 90.535 infecções (3.236 mortes), Europa 22.307 (930), Oriente Médio 9.876 (364), Estados Unidos e Canadá 989 (29), América Latina e Caribe 148 (2), Oceania 129 (3), África 117 (2).

O medo do coronavírus também esvazia hotéis e locais turísticos na capital da França, outro foco importante da epidemia na Europa e diminui os passageiros em voos de empresas aéreas que, dia após dia, anunciam a suspensão de atividades.

Um total de 363 milhões de estudantes estão em férias forçadas em 15 países, segundo a Unesco.

- Bilhões de dólares -

Para combater a pandemia, a Itália anunciou uma ajuda excepcional de 25 bilhões euros (28,3 bilhões de dólares).

O Banco da Inglaterra (BoE) anunciou na quarta-feira uma inesperada redução nas taxas de juros, que passou de 0,75% para 0,25%, a mais importante desde o início de 2009, durante a crise financeira.

A Comissão Europeia anunciou a criação de um fundo de resposta a coronavírus de até 25 bilhões de euros e espera-se que na reunião de política monetária do Banco Central Europeu na quinta-feira sejam anunciadas medidas vigorosas para mitigar os efeitos devastadores na economia do Covid-19.

Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump garantiu que em breve apresentará um plano para apoiar a economia, enquanto o Canadá anunciou uma ajuda milionária para sustentar a sua própria situação econômica.

Depois da forte queda da segunda-feira, as bolsas de valores da Europa voltaram a fechar em vermelho, com exceção de Milão, que subiu apenas 0,33%.

- China suaviza as medidas, enquanto outros reforçam -

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau), onde foi declarada pandemia no fim de dezembro, registra 80.778 casos, com 3.158 vítimas fatais. Nas últimas 24 horas, foram diagnosticados 24 novos portadores da doença e 22 falecimentos.

Em um sinal de normalização progressiva em Wuhan (centro), berço da epidemia isolada desde 23 de janeiro, as empresas começam a retomar suas atividades um dia após a visita do presidente Xi Jinping à cidade, que disse que a pandemia está "praticamente contida".

No Japão, onde o coronavírus contaminou 568 pessoas e deixou 12 mortos, cancelou as cerimônias em homenagem às vítimas do tsunami de 11 de março de 2011.

Na América Latina, onde existem cerca de 140 casos e duas mortes, as medidas são redobradas. O Panamá registrou sua primeira morte e Honduras e Bolívia registraram os primeiros casos.

A Colômbia isolará quem chegar da China, Espanha, França e Itália, enquanto a Argentina também incluiu na lista viajantes provenientes dos Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul, Japão e Irã.

A Bolívia pediu a todos que chegam dos países afetados que "auto imponham o isolamento" por 14 dias.

El Salvador e Chile tomaram medidas sanitárias extremas com pessoas da Espanha e da Itália, enquanto a Costa Rica ordenou o cancelamento de reuniões públicas.

Nos Estados Unidos, com 1.001 casos e 28 mortes, a Guarda Nacional delimitará uma "área de confinamento" com um raio de 1,6 km em New Rochelle, uma cidade de 80.000 habitantes que é o foco principal do coronavírus no estado de Nova York.

Pela primeira vez nas últimas três décadas, a chama olímpica dos Jogos de Tóquio 2020 será acesa sem a presença de espectadores, na quinta-feira em Olympia e as famosas festas Las Fallas na cidade espanhola de Valência foram suspensas pela primeira vez desde a Guerra Civil (1936-1939).

O medo em relação à propagação do vírus também chegou ao Conselho de Segurança da ONU, que determinou que as reuniões agendadas para março serão "reduzidas".

Isso significa "reduzir o número de participantes para cada delegação, mantendo consultas a portas fechadas, não mais na sala (menor) dedicada a ela, mas na sala maior do Conselho", onde são realizadas reuniões públicas, disse Zhang Jun, representante da China, que ocupa a presidência rotativa da entidade.

O objetivo é "ter mais espaço e menos pessoas", acrescentou.

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