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Estado de Minas

Preço do petróleo sofre a maior queda desde a guerra do Golfo

Fracasso das negociações entre a Opep e seus sócios sobre a redução no preço do produto provocou uma ''tempestade'' nos mercados mundiais


postado em 09/03/2020 09:13 / atualizado em 09/03/2020 11:11

Homem com máscara passa por placa eletrônica com índice de ações da Ásia e notícias sobre o mercado de petróleo, em um shopping em Bangcoc(foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP)
Homem com máscara passa por placa eletrônica com índice de ações da Ásia e notícias sobre o mercado de petróleo, em um shopping em Bangcoc (foto: Lillian SUWANRUMPHA / AFP)

As cotações do petróleo caíram quase 30% nesta segunda-feira, a queda mais expressiva desde a guerra do Golfo em 1991, depois que a Arábia Saudita provocou uma guerra de preços com grandes descontos em seu produto.


Na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, e seus sócios, liderados pela Rússia, não alcançaram um acordo para reduzir a produção e apoiar os preços, em um contexto de queda da demanda provocada pelo coronavírus.


A Rússia, segundo maior produtor mundial de petróleo e que não é membro do cartel, se negou a uma nova redução coletiva dos 23 países (a chamada OPEP+) de 1,5 milhão de barris por dia, como desejavam os sauditas.


Após o fracasso das negociações, a Arábia Saudita decidiu no domingo adotar o maior corte dos preços do barril em 20 anos, o que provocou uma tempestade nos mercados.


De acordo com a agência Bloomberg, a Arábia Saudita cortou entre 4 e 6 dólares o preço de seus barris para entrega em abril destinados à Ásia e em 7 dólares os destinados aos Estados Unidos.


A empresa nacional Aramco reduziu o preço do barril de Arabian Light a um valor sem precedentes de 10,25 dólares, segundo a agência.

Funcionário de uma máscara enche tanque de uma moto em um posto em Bangcoc. Mercados acionários entraram em colapso por causa do coronavírus e a queda nos preços do petróleo(foto: Mladen ANTONOV / AFP)
Funcionário de uma máscara enche tanque de uma moto em um posto em Bangcoc. Mercados acionários entraram em colapso por causa do coronavírus e a queda nos preços do petróleo (foto: Mladen ANTONOV / AFP)


A divergência já havia provocado uma queda de 10% nos preços do petróleo na sexta-feira.


Para Jeffrey Halley, analista do grupo Oanda, "a Arábia Saudita parece ter a intenção de punir a Rússia" com a decisão a respeito dos preços.


Durante as negociações na Ásia (madrugada no Brasil), os dois principais barris operavam em queda de quase 30%: o WTI (West Texas Intermediate) caiu a 29 dólares e o Brent a US$ 33.


As Bolsas também operavam em queda na Ásia, Golfo e na Europa.


Em Riade, a Bolsa operava em queda de mais de 9% nesta segunda-feira, enquanto as ações da petroleira nacional Aramco recuavam 10%.


Ao mesmo tempo, as Bolsas europeias iniciaram a segunda-feira com quedas de até 12%.


O desabamento do preço do petróleo pode ter outras consequências, de acordo com os analistas.


"A queda de 30% do preço do petróleo não tem precedentes e está provocando uma grande onda de choque nos mercados financeiros", disse Margaret Yang, analista da CMC Markets.


Às 10H25 GMT (7H25 de Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em maio era negociado a 36,13 dólares em Londres, 20,19% a menos que na sexta-feira.


Em Nova York, o barril americano de WTI perdia 21,10%, a 32,57 dólares.



 


 


 


 


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