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Estado de Minas

Secretário-geral da ONU preocupado com ataques aos direitos humanos


postado em 24/02/2020 10:55

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fez nesta segunda-feira um apelo à ação contra os ataques aos direitos humanos em todo o mundo, destacando a perseguição às minorias e os "níveis alarmantes de feminicídio".

"Os direitos humanos estão sendo atacados", declarou Guterres na abertura da sessão anual principal do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, antes de acrescentar que "nenhum país está a salvo".

"Os medos avançam e os direitos humanos enfrentam desafios crescentes em todas as partes", disse, ao fazer um apelo para que a comunidade internacional atue para inverter a tendência.

O secretário-geral da ONU não citou nenhum país em particular no discurso, mas fez referências ao conflito na Síria ou à situação dos migrantes que desejam morar na Europa.

Ele destacou o caso "dos civis bloqueados em áreas de regiões arrasadas pela guerra, com fome e bombardeados, apesar do direito internacional", e denunciou os "tráficos de seres humanos, que afetam todas as regiões do mundo".

Guterres também expressou preocupação com o "retrocesso nos direitos das mulheres, os níveis alarmantes de feminicídios, os ataques contra os defensores dos direitos das mulheres e a persistência das leis e políticas que perpetuam a submissão e a exclusão".

"A violência contra as mulheres e as meninas é a violação dos direitos humanos mais extensa dos direitos humanos", destacou.

"As leis repressivas se multiplicam, com restrições cada vez maiores à liberdade de expressão, de religião, de participação, de reunião e de associação", disse Guterres.

"Os jornalistas, os ativistas pelos direitos humanos e os ecologistas - sobretudo as mulheres - são objeto de ameaças crescentes, justamente quando seu compromisso é indispensável para o exercício da justiça", completou.

As novas tecnologias "permitem que a sociedade civil se organize melhor, certamente, mas também dão às autoridades alguns recursos inéditos para controlar as idas e vindas de todos e restringir as liberdades".

"A crise climática é a maior ameaça para a sobrevivência de nossa espécie e coloca em risco os direitos humanos nos quatro cantos do planeta", ressaltou.

Em um discurso no Conselho, a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, também pediu uma "ação urgente para não deixar nossos jovens e seus filhos em um gigantesco incêndio incontrolável de crises dos direitos humanos".

Guterres mencionou o avanço do populismo e criticou a "aritmética política perversa que consiste em dividir as pessoas para aumentar o número de votos e afetar o estado de direito.

Guterres fez o discurso depois de ser muito criticado por não ser incisivo em questões dos direitos humanos, além de ser considerado brando com os países poderosos como Estados Unidos, Arábia Saudita ou China.


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