Publicidade

Estado de Minas CORONAVÍRUS

MAIOR VIGILÂNCIA PARA QUEM RETORNA DA ÁSIA

Brasil aumenta a atenção sobre passageiros que desembarcam do Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Cingapura, Vietnã, Tailândia e Camboja com sintomas semelhantes aos da doença


postado em 22/02/2020 04:00

Agentes usam máscaras em Huaibei, na província de Anhui, Leste da China, onde os casos de coronavírus voltaram a crescer(foto: STR/AFP )
Agentes usam máscaras em Huaibei, na província de Anhui, Leste da China, onde os casos de coronavírus voltaram a crescer (foto: STR/AFP )

Brasília – O Ministério da Saúde decidiu aumentar o nível de vigilância de quem volta da Ásia com sintomas semelhantes ao coronavírus. Até então, pessoas com viagem recente à China que apresentaram febre e mais um sintoma respiratório, como tosse, eram tratadas como suspeitas de ter o vírus. Desde ontem, a definição de caso suspeito também vale para pessoas que chegarem do Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Cingapura, Vietnã, Tailândia e Camboja e apresentarem sintomas.

A mudança de parâmetro ocorreu por causa do aumento de 14% no número de casos novos fora da China em apenas um dia. A Coreia do Sul tem 204 casos confirmados, o Japão sete casos, Singapura 85, Tailândia 35, Vietnã 16 e Camboja um.

A Coreia do Norte, apesar de não ter nenhum caso confirmado, também foi incluída na ampliação do ministério por compor a mesma península que seu vizinho, a Coreia do Sul. No total, são 76.787 casos em todo o mundo, com 2.248 mortes, sendo 2.144 na China, e 18.864 curados. Os dados são da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos.

Outra justificativa para a decisão do governo brasileiro é a chegada do carnaval, período em que o fluxo de turistas estrangeiros aumenta no país. Apesar disso, o governo não tem nenhuma recomendação para que as pessoas evitem viajar para esses países, com exceção da China. Essa orientação, no entanto, poderá ocorrer caso algum dos países institua regime de quarentena. “Na China estamos vivendo uma situação de quarentena. E por isso recomendamos que não viajasse para lá se não houvesse uma justificativa plausível”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo.

O Brasil tem um caso suspeito, de uma mulher de 21 anos, do Rio de Janeiro. Ela viajou recentemente à China, a exemplo da maioria dos casos considerados suspeitos. Os exames dessa mulher estão sendo processados e o resultado deve sair em breve. As 58 pessoas que estão em quarentena em Anápolis (GO), na base aérea da Força Aérea Brasileira (FAB), foram submetidas a mais uma coleta de exames hoje, 14º dia de quarentena. O prazo para o resultado ser conhecido é de 24 horas a 72 horas. “Estamos seguindo padrões internacionais de segurança. A partir de 14 dias, estando clinicamente saudáveis, poderão ser liberados”, disse o secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do ministério, Wanderson de Oliveira.

O prazo de 18 dias de quarentena, segundo os representantes do ministério, contemplava justamente a coleta de quatro amostras para exame, sendo a última no 14º dia, tido como o último para que o vírus se manifeste após contágio, e o prazo para o conhecimento do resultado. “A FAB vai levar as pessoas de volta à sua origem. O Ministério da Defesa vai montar a logística para transportar as pessoas onde elas moram no Brasil. Elas irão em voos da FAB ou aviões comerciais, mas tudo será organizado pelo Ministério da Defesa tão logo os exames estejam prontos e negativos”, explicou Gabbardo.

n CASOS ATÍPICOS 
PREOCUPAM OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que o tempo para erradicar o novo coronavírus "se estreita" e que está preocupada com o surgimento de casos sem "vínculo epidemiológico claro" fora da China. Os novos focos da doença se multiplicam: mais duas mortes no Irã, primeiro contágio no Líbano, duplicação de casos na Coreia do Sul e cerca de 500 prisioneiros contaminados na China. Sinal do nervosismo, cerca de 10 localidades no norte da Itália fecharam bares, escolas, centros esportivos e outros locais públicos ontem, após a divulgação de 17 casos de infecção em todo o país.

A "janela de oportunidade" para erradicar a epidemia "está se estreitando", advertiu o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "É por isso que pedimos à comunidade internacional que aja rapidamente, incluindo em questões de financiamento. Não é o que estamos vendo", afirmou. Na China continental (sem incluir Hong Kong e Macau) o vírus provocou 2.236 mortes e infectou mais de 75.000 pessoas, enquanto em outras partes do mundo são 11 vítimas fatais e 1.100 contaminados.

"Embora o número total de casos fora da China permaneça relativamente baixo, estamos preocupados com o número de casos sem uma ligação epidemiológica clara, como histórico de viagens ou contatos com um caso confirmado", explicou Tedros. "Vemos que a situação evolui. Não só aumenta o número de casos mas também vemos diferentes modelos de transmissão", afirmou Sylvie Briand, diretora do Departamento de Gestão de Riscos Infecciosos da OMS. Como sinal de sua preocupação, a OMS anunciou a designação de seis enviados especiais, entre eles David Nabarro, ex- coordenador para o ebola durante a epidemia na África ocidental entre 2013 e 2016.

 
 
 

Mais casos fora da China 


Genebra – Depois de queda por quatro dias consecutivos, o número de casos de coronavírus na China cresceu outra vez. Foram 889 diagnósticos em comparação aos 673 de quinta-feira, anunciou a Comissão Nacional de Saúde do país. A China estabeleceu uma quarentena de fato para dezenas de milhões de pessoas na província de Hubei (centro) e em sua capital Wuhan, epicentro da epidemia. Vários países proibiram a entrada de viajantes da China e muitas companhias aéreas suspenderam seus voos para o país. Mas essas restrições não impediram o surgimento de novos casos fora da China continental.

A Coreia do Sul entrou em alerta máximo. O número de casos quase dobrou na sexta-feira, chegando a mais de 200. Entre eles, cerca de 120 são membros da "Igreja de Jesus Shincheonji", uma seita cristã localizada na cidade de Daegu (sudeste). O Irã anunciou 13 novos casos de contágio e a morte de outros dois, num total de quatro mortes e 18 infectados. A maioria dos casos na cidade de Qom (150 km ao sul de Teerã). Israel e Líbano confirmaram um caso cada: um israelense que acabara de voltar e um libanês de 45 anos que viajara para Qom.

Autoridades de cerca de 10 locais no norte da Itália emitiram ordens para o fechamento de todos os locais públicos, entre eles escolas, bares, escritórios e centros esportivos, como forma de deter a propagação do novo coronavírus. 

A decisão foi tomada pelo ministro da Saúde, Roberto Speranza, e as autoridades da Região da Lombardia durante uma reunião de crise com as autoridades locais após detectar 14 casos de contágio, entre eles em cinco médicos. 

Todos os eventos esportivos foram suspensos, enquanto os habitantes foram alertados a não saírem de suas casas durante ao menos os próximos cinco dias.

JAPÃO  

A controvérsia aumentou no Japão em torno do navio Diamond Princess, atracado em quarentena no porto de Yokohama, perto de Tóquio, desde o início de fevereiro e que continua sendo o principal foco de infecção fora da China. Dois australianos, que quando desembarcaram deram negativo nas análises, foram declarados infectados quando retornaram à Austrália, o que levantou questões sobre os procedimentos das autoridades japonesas, que autorizaram centenas de passageiros supostamente não infectados a deixar o navio. Um avião com 129 canadenses que estavam no cruzeiro chegou nesta sexta a uma base militar na província de Ontário.
      
 Outros países continuam a retirar seus cidadãos: um terceiro avião fretado pela França decolou na manhã desta sexta de Wuhan com 28 franceses a bordo e 36 cidadãos de outros países da União Europeia.

Numa reunião do Partido Comunista Chinês (PCC), presidida pelo chefe de estado Xi Jinping, os participantes apontaram que o "pico da epidemia ainda não havia sido atingido" e que a situação era "complexa" em Hubei. Sinal disso é a morte de um médico de 29 anos em Wuhan. 

Em Pequim, as autoridades anunciaram 36 casos no hospital Fuxing e um no hospital da Universidade, uma pessoa internada após ser infectada por dois parentes que a visitaram.

Particularmente preocupante é a situação nas prisões: 200 detidos e sete guardas foram infectados em Jining, na província de Shandong (leste), e há 34 casos em uma unidade de Zhejiang (leste). 

Em Hubei, foco da epidemia, 271 infecções foram registradas nas prisões. Muitos chineses voltaram ao trabalho nesta semana, mas o país ainda está meio paralisado com as pessoas em suas casas e a maioria das lojas, restaurantes e escolas fechadas. 


Publicidade