
Moscou – O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que o casamento só é possível entre homens e mulheres, apoiando a ideia de estabelecer esse princípio na Constituição russa. "O casamento é uma união entre um homem e uma mulher", disse Putin durante reunião com um grupo de funcionários do Kremlin sobre a reforma constitucional proposta por ele em janeiro. "É uma boa ideia e precisa ser apoiada. Só temos que refletir sobre como e onde sugeri-la", ressaltou, diante de uma proposta feita pela conservadora Olga Batalina de fixar na Constituição o apoio do governo aos "valores familiares tradicionais".
Segundo Batalina, o conceito de família está ameaçado atualmente por causa da tentativa de incluir termos como "pai número um" e "pai número dois". "Não é uma fantasia, é uma realidade em muitos países", defendeu Batalina, que representa o partido Rússia Unida na Câmara Baixa do Parlamento (Duma), e que no passado apoiou ativamente a lei que proíbe "propagandas com conteúdo homossexual" no país. "Quanto ao 'pai número um' e 'pai número dois' (...), enquanto for presidente, não aceitaremos isso. Teremos papai e mamãe", finalizou o presidente russo.
POLIAMOR Enquanto isso, do lado de cá do mundo o assunto é poliamor. O termo não aparece no vocabulário ortográfico da língua portuguesa, mas é assunto de livros e séries: o poliamor, com outras formas de conceber relacionamentos, entra no reinado da monogamia, tradicionalmente enraizada na América Latina. O amor romântico de um casal deixou de ser o único vínculo legítimo para muitos e, embora não seja novidade, há cada vez mais pessoas que ousam viver e expor seus relacionamentos alternativos.
O poliamor é definido como as relações sexuais e afetivas de mais de duas pessoas, a anarquia relacional, que se recusa a classificar os vínculos em categorias; e os relacionamentos abertos são algumas formas de "amor livre", mais honestos e consensuais, segundo seus adeptos. "Não é uma guerra contra a monogamia, mas contra a mononorma, que é a imposição desse formato", afirma Deb Barreiro, de 29 anos, ativista do Amor Livre Argentina.
Deb tem um relacionamento com Gabriel López, de 39 anos, há mais de um ano; May, de 36, começou a namorar Gabriel algum tempo depois e por cerca de seis meses os três formaram um "triângulo" poliamoroso, que definem como uma relação aberta e "dinâmica". Os relacionamentos não tradicionais são desafiados a "derrubar mandatos e construir valores que atendam a outras necessidades", descreve Deb. Mas o sucesso implica retirar o que foi adquirido.
Para Julio César Jerez, mexicano de 40 anos, atravessar a barreira do amor romântico e da monogamia implica "deixar de lado suas características prejudiciais". A primeira, ele diz, é "acreditar que somos pessoas incompletas até encontrarmos a metade da laranja". A outra é "identificar que a exclusividade amorosa e sexual representa o amor verdadeiro". Deixar isso de lado ajuda a excluir emoções "negativas", como o ciúme, diz Jerez, que teve relações com mulheres casadas que priorizaram seus casamentos, o que é chamado de poliamor hierárquico. May conta que "ficava doente de ciúmes", mas superou isso ao entrar em relacionamentos "transparentes".
Estaríamos vivenciando o fim do amor tradicional? "Não acho que estejamos perto do fim da monogamia", diz Tamara Tenenbaum, de 30 anos, escritora argentina e autora de O fim do amor. "O que estamos vendo é o fim do casal como único modo de vida". Embora os transgressores hoje não tenham idade definida, os millennials, nascidos entre 1981 e 1990, são os que demonstram mais interesse particular nas novas relações.
