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Estado de Minas

Academia frustra expectativas de prêmio para 'Democracia em Vertigem'


postado em 10/02/2020 00:19

"Indústria americana", premiado com o Oscar de melhor documentário, frustrou as ambições de "Democracia em Vertigem", de Petra Costa, de levar para o Brasil um inédito prêmio na categoria na 92ª edição da noite de gala da Academia no Teatro Dolby, em Hollywood, neste domingo (9).

O documentário contemplado com a estatueta conta a história de uma fábrica de automóveis do Meio oeste dos Estados Unidos, reaberta por um bilionário chinês. O filme foi produzido por Barack e Michelle Obama para a Netflix.

"Quando começamos (o filme), nem mesmo tínhamos o presidente (Donald) Trump, e muito menos as guerras comerciais e o conflito com a China", disse a diretora Julia Reichert à AFP.

Codirigido por Reichert e Steven Bognar, o filme, premiado no Festival de Sundance 2019, se passa em uma fábrica abandonada da General Motors em Ohio, que volta a funcionar quando o chinês Cao Dewang a compra e a transforma na fábrica de para-brisas Fuyao Glass America.

Disponível na Netflix desde junho passado, "Democracia em Vertigem" relata em primeira pessoa a ascensão da esquerda no Brasil, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, sua prisão após ser condenado por corrupção, a destituição de sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2016 e a chegada da direita ao poder com Bolsonaro, em 2018.

Também disputavam o Oscar de melhor documentário "The Cave", "For Sama" e "Honeyland", este último também concorrente ao prêmio de melhor filme estrangeiro.

A 92ª cerimônia de entrega dos prêmios da Academia acontece em meio a críticas pela falta de diversidade entre seus indicados.

"Celebramos todas as mulheres que dirigiram filmes fenomenais", disse a cantora Janelle Monáe ao abrir a noite.

"Estou muito orgulhosa de estar aqui como uma artista negra e queer, contando histórias. Feliz mês da história negra", continuou a atriz e cantora, que abriu sua apresentação com um número musical ao lado de Billy Porter, que incluiu os temas de "Um lindo dia na vizinhança" e "I'm Still Standing", de Elton John.

No primeiro prêmio da noite, Brad Pitt levou o Oscar de melhor ator coadjuvante por seu papel em "Era uma vez... em Hollywood", a ode à meca do cinema de Quentin Tarantino.

"É tempo de dar um pouco de amor a nossos coordenadores e equipes de dublês", disse o ator de 56 anos ao receber o prêmio, em alusão ao seu papel de dublê no filme.

Laura Dern levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo papel de uma advogada especializada em divórcios em "História de um casamento".

Dern, que arrasou nesta temporada de prêmios de Hollywood, desbancou Kathy Bates ("O caso de Richard Jewell"), Scarlett Johansson ("Jojo Rabbit"), Florence Pugh ("Adoráveis mulheres") e Margot Robbie ("O escândalo").

Renée Zellweger ("Judy") e Joaquin Phoenix ("Coringa") são apontados como favoritos nas categorias de melhor atriz e ator, segundo a tendência da temporada de premiações.

"1917", o filme de Sam Mendes ambientado na I Guerra Mundial, deve levar o Oscar de melhor filme, embora "Parasita", aclamada produção sul-coreana de Bong Joon-ho, possa surpreender.

"Os grandes prêmios se definem entre 'Parasita' e '1917'", disse à AFP o editor sênior de cinema da revista Variety, Marc Malkin, destacando que o complexo sistema de votação poderia acabar fazendo a balança inclinar para o filme asiático.

"Com qualquer outro filme, as pessoas dizem, 'Gostei, mas...', com 'Parasita' é 'Adorei, ponto'", continuou o especialista, acrescentando que "o entusiasmo e a alegria de Bong são completamente contagiosos".

Bong levou o primeiro dos seis Oscar a que seu filme foi indicado, o de roteiro original.

"Escrever roteiros é um processo muito solitário, a gente nunca escreve para representar seus países, mas este é muito pessoal para a Coreia do Sul", afirmou.

- Diversidade na berlinda -

Mais uma vez o Oscar não tem anfitrião, embora Steve Martin e Chris Rock tenham feito as honras com o primeiro monólogo humorístico, brincando com Jeff Bezos e o ganhador do Oscar no ano passado, Mahershala Ali.

"Tem dois Oscars, sabe o que isto significa quando a Polícia te prende? Nada", provocou Rock, mais uma vez em alusão ao problema da diversidade que assombra esta edição.

"O Oscar mudou nos últimos 92 anos... Em 1929 não havia atores negros indicados", alfinetou Martin. "Em 2020 temos um", ironizou Rock.

É verdade. Cynthia Erivo ("Harriet") foi a única atriz não branca indicada nas categorias de interpretação.

Antonio Banderas, que chegou a ser considerado pela imprensa americana um "ator de cor", é indicado a melhor ator por "Dor e Glória", de Pedro Almodóvar, que disputa o Oscar de melhor filme estrangeiro, ambos com poucas chances.

"Conseguir uma indicação atuando em espanhol, trabalhando com meu amigo Pedro, não poderia estar mais feliz", disse Banderas no tapete vermelho. "Ter sido dirigido por meu próprio personagem é incrível", afirmou em alusão ao seu papel, baseado na vida do cineasta espanhol.

A sátira nazista "Jojo Rabbit", de Taika Waititi, levou a estatueta de melhor roteiro adaptado e "Toy Story 4", o de melhor animação.

A 92ª cerimônia do Oscar presta tributo a Kirk Douglas, o último grande ícono da era dourada de Hollywood, falecido na quarta-feira aos 103 anos, e à lenda do basquete e também premiado com o Oscar Kobe Bryant, morto em um acidente de helicóptero em 26 de janeiro.


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