Publicidade

Estado de Minas IMPEACHMENT E ELEIÇÕES NOS EUA

Prato cheio para a virada de Trump

Denúncias de inconsistências e atraso na apuração das primárias dos democratas dão novo gás ao presidente


postado em 05/02/2020 04:00

Manifestantes na Faixa de Gaza protestaram contra o líder norte-americano, que, no Twitter, tripudiou dos adversários americanos(foto: Said Khatib/AFP)
Manifestantes na Faixa de Gaza protestaram contra o líder norte-americano, que, no Twitter, tripudiou dos adversários americanos (foto: Said Khatib/AFP)

O presidente norte-americano, Donald Trump, sai confiante e exultante do caos que tomou conta das eleições primárias dos oposicionistas democratas de Iowa e certo de que o julgamento político contra ele no Congresso terminará esta semana com a sua absolvição do processo de impeachment.  O 45º presidente dos Estados Unidos se fortaleceu ainda após pesquisa de opinião ter mostrado que o nível de aprovação dele está no máximo histórico de 49%, num momento em que seus adversários permanecem sem saber quem venceu as primárias de segunda-feira, em Iowa.
 
Com vistas às eleições de novembro – nas quais Trump espera ser reeleito – são notícias animadoras para sua campanha, enquanto o milionário republicano faz balanço de um governo de “bonança” oferecida aos trabalhadores da classe operária, segundo um alto funcionário da Casa Branca.
 
Os problemas técnicos na hora da contagem dos votos nas primárias democratas deram ao presidente nova munição. “Nada funciona, como quando governam o país”, ironizou o presidente no Twitter, em um momento de polarização e nervosismo que não se via nos Estados Unidos em décadas.
 
Trump poderia expressar arrependimento por ter pressionado seu colega ucraniano, Volodymyr Zelenski, a investigar seu adversário político, Joe Biden. Esse comportamento foi inclusive considerado inadequado por alguns senadores republicanos durante o julgamento político, embora tenham esclarecido que não era um erro que merecesse sua destituição. O presidente também poderia apostar na estratégia adotada por Bill Clinton quando foi alvo de um julgamento no Senado e em seu discurso de 1999 tentou pôr panos quentes na situação, evitando o tema.
 
Para o senador republicano Roy Blunt, essa é uma oportunidade de “seguir adiante”. O político admitiu ao jornal The New York Times que o milionário que se lançou na política após uma carreira como apresentador de televisão não é o tipo de pessoa que baixa o perfil nos debates. “A outra opção é abordar (o tema) de frente e habitualmente ele é esse tipo de pessoa”, disse um correligionário.
 
O Senado se prepara para concluir o julgamento político contra o presidente. Na segunda-feira, acusação e defesa pronunciaram suas alegações finais e hoje está prevista a votação do veredicto, mas os democratas já prometeram seguir com sua estratégia de pressão contra Donald Trump. “A trama persiste, os esquemas continuam e o perigo não abranda”, disse Adam Schiff, congressista democrata que encabeça a acusação contra Trump e que desafiou os republicanos a admitirem a “terrível verdade” sobre o que ocorre.
 
Na próxima semana, as votações democratas prosseguem em New Hampshire e a partir daí o calendário eleitoral só vai acelerar. Vários democratas que aspiram enfrentar Trump nas eleições presidenciais são jurados do julgamento político na qualidade de senadores: Amy Klobuchar, Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

'Nada funciona' A votação em Iowa, iniciada na segunda-feira, para disputa pela indicação democrata na eleição presidencial terminou em fiasco, após “irregularidades” e atrasos na publicação dos resultados, o que levou o pré-candidato Bernie Sanders a anunciar uma pequena vantagem com base em dados não oficiais e ainda parciais. Um pequeno estado rural onde começa a temporada eleitoral nos Estados Unidos desde a década de 1970, Iowa é visto como um termômetro no demorado processo de meses para determinar quem disputará a eleição contra o presidente republicano Donald Trump em 3 de novembro.
 
A diretora de comunicação do Partido Democrata em Iowa, Mandy McClure, disse que mais controles foram ordenados, depois que “inconsistências” foram detectadas nos relatórios de três conjuntos de resultados. “Isso é simplesmente um problema de relatórios”, afirmou, antes de negar ação de “hackers, ou uma invasão”.
 
Iowa celebrou 1.700 assembleias de eleitores na segunda-feira. A campanha do ex-vice-presidente Joe Biden enviou uma carta ao presidente do Partido Democrata de Iowa, Troy Price, na qual reclamou de “falhas consideráveis”. O presidente americano, Donald Trump, não perdeu a oportunidade de ironizar o que chamou de “desastre sem atenuantes” das primárias democratas de Iowa.
 
“Nada funciona, assim como quando eles (os democratas) administravam o país”, escreveu o presidente no Twitter ante a demora da publicação dos resultados. Enquanto Trump comemorava ontem em Washington, no Sul da Faixa de Gaza, em Khan Yunis, manifestantes palestinos colaram sapatos num outdoor gigantesco que mostrava o rosto do presidente norte-americano, em protesto contra o plano de paz dele para o Oriente Médio.

Início do fim?


Em um cenário de caos, Sanders, que se apresenta como um “socialista democrático”, discursou para seus simpatizantes antes de divulgar os dados parciais e afirmou que tinha um “bom pressentimento” de que iria “muito, muito bem” em Iowa. “Hoje marca o início do fim para Donald Trump”, disse o senador de 78 anos, que em 2016 foi derrotado em Iowa por Hillary Clinton. Sanders deu um passo ousado ao anunciar resultados internos de quase 40% dos locais de votação. De acordo com os dados anunciados, o senador recebeu 28,62% dos votos, seguido de Buttigieg (25,71%), da senadora progressista Elizabeth Warren (18,42%) e do ex-vice-presidente de centro Joe Biden (15,08%). A situação embaraçosa em Iowa ocorre no momento em que funcionários do governo americano estão sob pressão para demonstrar a integridade do sistema de votação do país depois de 2016, quando a Rússia foi acusada de interferir nas eleições presidenciais em um esforço para ajudar Trump a derrotar Clinton.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade