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Estado de Minas

Alemanha e Israel temem "demônios do passado" 75 anos após Holocausto


postado em 29/01/2020 11:13

Os presidentes de Israel e da Alemanha alertaram nesta quarta-feira (29) sobre o perigo dos "demônios do passado" com o ressurgimento do antissemitismo, 75 anos após a libertação do campo nazista de Auschwitz.

"Acreditávamos que o velho demônio despareceria com o tempo. Mas não: os espíritos maléficos do passado aparecem agora com novos aspectos", disse o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier em um discurso na Câmara dos Deputados (Bundestag), em um dia de recordação às vítimas do nazismo.

"Um antissemitismo feio e extremo ronda a Europa, da extrema-direita à extrema-esquerda", disse o o presidente israelense Reuven Rivlin.

"A Europa é novamente visitada pelos demônios do passado", ressaltou.

Após as cerimônias no Museu do Holocausto Yad Vashem, em Israel, e no local em que ficava o campo nazista de Auschwitz-Birkenau (Polônia), os dois chefes de Estado discursaram diante dos deputados e integrantes do governo de Angela Merkel.

"Gostaria de poder dizer com convicção, particularmente diante de nosso convidado de Israel (Reuven Rivlin) que 'nós, alemães, o entendemos'", afirmou o presidente alemão, que tem uma função principalmente honorária.

"Mas como dizer isso quando o ódio e a agitação se espalham, quando o veneno do nacionalismo se infiltra novamente nos debates, mesmo aqui?", afirmou na presença, entre outros, de deputados do partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha (AfD).

O partido avançou nos últimos anos na política alemã e vários de seus líderes pedem o fim da cultura do arrependimento alemão a respeito dos crimes do III Reich.

Steinmeier citou exemplos recentes de antissemitismo na Alemanha, como o ataque a uma sinagoga de Halle no dia do feriado judaico de Yom Kipur, as ameaças de morte ao único deputado alemão negro, Karamba Diaby, ou os insultos aos judeus que usam o quipá nas ruas.

"O que me preocupa é que entendemos melhor o passado que o presente", disse Steinmeier.

Rivlin, o segundo chefe de Estado de Israel, depois de Shimon Peres em 2010, a discursar no Bundestag no dia de recordação das vítimas do nazismo, também descreveu um panorama preocupante.

Embora tenha descartado um novo extermínio de judeus como o cometido pelos nazistas, Rivlin pediu um combate ao "início de um novo antissemitismo", alimentado por discursos sobre "pureza da raça" e "nacionalismo".

A Alemanha, assim como outros países europeus, registra um aumento das agressões racistas e antissemitas.

Em 2018 o aumento foi de quase 20% na comparação com o ano anterior, de acordo com a polícia. O movimento neonazista é o principal responsável pelas agressões.


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