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Estado de Minas

China restringe viagens e reforça medidas para lutar contra coronavírus


postado em 26/01/2020 18:31

A China reforçou, neste domingo (26), suas medidas e restrições para impedir a propagação da epidemia de pneumonia viral que já causou 56 mortes e quase 2.000 infecções, enquanto os Estados Unidos e a França se preparam para evacuar seus cidadãos de Wuhan, epicentro da doença.

Esta cidade de 11 milhões de habitantes está em quarentena desde quinta-feira, assim como grande parte da província de Hubei, da qual é a capital, no centro do país.

Essa medida sem precedentes, que afeta dezenas de milhões de pessoas, tem como objetivo conter a propagação da epidemia, que o presidente chinês Xi Jinping chamou de ameaça "grave".

As autoridades de saúde chinesas disseram no domingo que esse novo coronavírus "não é tão potente" quanto o vírus da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), a origem de uma epidemia mortal em 2002-2003, mas mais contagiosa.

A taxa de mortalidade desse coronavírus "é inferior a 5%", concordou o professor francês Yazdan Yazdanpanah, especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS), em comparação com 9,5% da SARS, que deixou 774 mortos no mundo todo, incluindo 349 na China continental e 299 em Hong Kong.

Gui Xi'en, especialista em doenças infecciosas da Universidade Wuhan, disse que o número de infecções pode atingir um "pico" por volta de 8 de fevereiro, antes de diminuir.

"Agora, o número de novos pacientes diagnosticados está aumentando dia a dia, mas não deve demorar muito para atingir seu pico", disse ele ao jornal estatal Diário do Povo.

- Máscaras obrigatórias -

Fora do epicentro da doença, quatro cidades - incluindo Pequim e Xangai - anunciaram a suspensão da circulação de ônibus de longa distância, uma medida que afetará milhões de pessoas que viajam por ocasião do feriado do Ano Novo Chinês.

Além disso, a província de Guangdong, a mais populosa da China, impôs neste domingo a seus 110 milhões de habitantes a obrigação de usar máscara respiratória.

Essa imposição - também aplicada na província de Jiangxi e em outras grandes cidades - já está em vigor em Wuhan.

Quase todas as mortes foram registradas em Wuhan ou na província de Hubei, mas neste domingo o vírus fez sua primeira vítima fatal em Xangai, grande metrópole financeira do leste do país.

- Cinco casos confirmados nos EUA -

O patógeno se espalhou por vários outros países, tão distantes quanto a França, os Estados Unidos ou a Austrália.

Nos Estados Unidos, as autoridades de saúde relataram neste domingo cinco casos confirmados do coronavírus.

"Esperamos que outros casos sejam registrados", disse a diretora de doenças respiratórias do Centro de Controle de Doenças (CDC), Nancy Messonnier. Segundo ela, cem pacientes em potencial estão sendo analisados.

Algumas horas antes, no Canadá, as autoridades relataram um primeiro caso suspeito.

Enquanto isso, na Europa, os três primeiros casos foram detectados na França na sexta-feira. O país vai repatriar seus cidadãos da região de Wuhan no meio da semana, anunciou a ministra da Saúde, Agnès Buzyn.

A associação francesa de operadores turísticos recomendou a suspensão de viagens organizadas à China até 21 de fevereiro.

Outras infecções confirmadas ou suspeitas foram detectadas em Austrália, Japão, Singapura, Malásia, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Vietnã e Nepal.

O Japão e a Coreia do Sul também tomam medidas para repatriar seus cidadãos na zona de risco.

- Medo em Wuhan -

A China entrou no sábado Ano do Rato, mas as comemorações do Ano Novo foram mínimas e não muito festivas.

Nas ruas de Wuhan não houve fogos de artifício ou dragões, e neste domingo reinava uma atmosfera assustadora em muitos de seus bairros.

Os habitantes da cidade também descrevem nos hospitais um caos digno de um "filme de terror", com equipes sobrecarregadas, pacientes abandonados e uma espera ansiosa e interminável.

Diante dessa situação, a cidade acaba de iniciar a construção de dois hospitais com mil leitos cada, que estarão prontos em tempo recorde de menos de duas semanas.


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