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Estado de Minas

Marechal rebelde Haftar deixou Moscou sem assinar acordo de trégua na Líbia


postado em 14/01/2020 08:05

O marechal rebelde Khalifa Haftar, que controla o leste da Líbia, deixou Moscou sem assinar o acordo de trégua aceito por seu rival, Fayez al-Sarraj, o que representa um revés para a próxima conferência internacional sobre a Líbia em Berlim.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, anunciou que "não houve resultado definitivo" após o encontro das facções rivais em Moscou, mas garantiu que seu país continuará trabalhando em conjunto com a Turquia para conseguir uma trégua duradoura.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou "dar uma lição" ao rebelde. "Não hesitaremos nunca em infligir ao golpista Haftar a lição que ele merece, se prosseguir com os ataques contra a administração legítima e contra nossos irmãos na Líbia", advertiu.

Sarraj, chefe do governo líbio reconhecido pela ONU, o GNA, e Haftar, cujas tropas estão posicionadas na periferia de Trípoli há nove meses, não se encontraram pessoalmente em Moscou, mas negociaram um acordo de trégua com mediação dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa da Rússia e da Turquia.

Sarraj assinou o texto que formaliza a trégua, mas seu rival deixou Moscou sem fazê-lo, depois de pedir algumas horas para refletir, informaram fontes diplomáticas russas.

Essa reunião em Moscou foi o resultado de um acordo sobre um cessar-fogo alcançado em 8 de janeiro em Istambul pelo presidente russo, Vladimir Putin, e Erdogan, que mostram sua influência no caos que prevalece na Líbia, frente a uma comunidade internacional impotente.

Por enquanto e apesar de suas diferenças, os dois lados parecem respeitar essa trégua precária, que entrou em vigor no domingo.

- Conferência em Berlim -

O projeto de acordo, ao qual a AFP teve acesso, apoia a iniciativa russo-turca de lançar "uma cessação ilimitada das hostilidades" na Líbia. Defende "a normalização da vida cotidiana em Trípoli e em outras cidades", assim como a distribuição da ajuda humanitária "de maneira totalmente segura".

Ancara apoia Sarraj, e Moscou, apesar de negar, apoia Haftar com armas, dinheiro e mercenários.

O fato de ele ter deixado Moscou sem assinar o acordo multiplica as questões sobre a viabilidade de uma conferência internacional sobre a Líbia, apoiada pela ONU, que deve ocorrer em Berlim, no dia 19 de janeiro.

Putin e a chanceler alemã, Angela Merkel, conversaram por telefone na segunda-feira à noite para finalizar "os preparativos para esta cúpula internacional e do encontro em Moscou dos rivais líbios".

Segundo Lavrov, toda comunidade internacional - russos, turcos, europeus, argelinos, egípcios, catarianos e árabes - "instam os rivais líbios a se entenderem em vez de resolverem suas diferenças por meios militares".

Ao mesmo tempo, as negociações para o estabelecimento de uma missão de observação continuam na ONU na expectativa de uma trégua estável.

A entrada da Turquia no território líbio, a suposta presença de mercenários russos e a existência de vários grupos armados fazem a comunidade internacional temer que o conflito líbio se internacionalize e degenere.

A Europa não quer que a Líbia se torne uma segunda Síria e também deseja reduzir a pressão migratória em suas fronteiras. Nos últimos anos, o continente recebeu milhares de pessoas fugindo das guerras nesta parte do mundo.

Para Moscou, a comunidade internacional é responsável pelo conflito na Líbia, país africano com as maiores reservas de petróleo, porque apoiou militarmente os rebeldes que derrubaram e mataram Muammar Khadafi em 2011.

Recentemente, Lavrov denunciou "a aventura criminosa" da Aliança Atlântica que "destruiu o Estado da Líbia".

Encorajada por sua influência na Síria, Moscou agora deseja recuperar o terreno perdido na Líbia, aproveitando o fracasso ocidental.

Além das questões geopolíticas, a Rússia está confiante de que a Líbia se tornará um comprador de suas armas e de seu trigo e será a porta de entrada para a África.

A Turquia também tem ambições no setor de petróleo, através de um controverso acordo assinado com o GNA que permitirá explorar novos depósitos.


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