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Estado de Minas

Iraquianos se dividem diante de um presidente que ameaça renunciar


postado em 27/12/2019 17:55

Um ato de "civismo" diante da corrupção dos partidos políticos ou uma "violação da Constituição"? Os iraquianos estavam divididos, nesta sexta-feira (27), após o anúncio de seu presidente Barham Saleh, que ameaçou deixar seu cargo frente à paralisia política, provocada em parte pela pressão dos grupos pró-Irã.

O presidente iraquiano está resistindo há dias ao lado pró-Irã que quer colocar seu novo candidato no cargo de chefe de governo: um ministro e governador controversos.

Na quinta-feira, Saleh escreveu ao Parlamento que preferia renunciar ao invés de propor aos deputados Assaad al Aidani e outros políticos já rejeitados pelos manifestantes.

Na sexta-feira, alguns esperavam que o sermão semanal do grande aiatolá Ali Sistani, uma figura guardiã da política iraquiana, esclarecesse o futuro de uma crise cada vez mais difícil de decifrar.

Mas este último se recusou a se pronunciar sobre a situação atual, afastando-se um pouco mais de uma classe política rotulada de corrupta em uma revolta sem precedentes por causa de sua magnitude, que parece não diminuir em intensidade.

Logo após entrar no quarto mês, os protestos já deixaram cerca de 460 mortos e 25.000 feridos. Em seu epicentro, a Praça Tahrir, em Bagdá, apareceu uma nova faixa na noite de quinta-feira, ao lado dos pôsteres com todos os candidatos rejeitados pela rua por cruzes vermelhas.

- 'Obrigado, Barham' -

No retrato de Saleh, uma frase: "Obrigado Barham por tomar partido das demandas do povo ao rejeitar candidatos de partidos corruptos. Estamos com você".

No entanto, essa impressão não é unânime. Sua possível renúncia "trará caos e dará ainda mais poder aos partidos do país", diz Ali Mohammed, professor, da província da Babilônia, ao sul de Bagdá. "O presidente tem que resistir aos partidos porque é a única barreira que garante a nomeação de um candidato nacionalista" como primeiro-ministro, disse à AFP.

Os políticos também estão divididos.

O bloco parlamentar pró-Irã é a maior coalizão no Parlamento e, portanto, tem o direito de nomear o chefe de governo, mas pede os deputados tomarem "medidas judiciais contra o presidente por violação da Constituição".

A lista do ex-primeiro-ministro Haider al-Abadi, que ficou em terceiro nas legislativas, e que perdeu metade de seus deputados a favor do grupo pró-Irã, pediu para Saleh reconsiderar sua postura.

A lista Wataniya - liderada pelo ex-primeiro-ministro Iyad Alaui, dominada pelos sunitas - aplaude a "postura cívica" do presidente, mas lhe pede para ficar para auxiliar na formação de "um governo de transição reduzido" que trabalhe "sob supervisão da ONU" para tirar o Iraque do impasse atual.

- Sul paralisado -

Enquanto isso, os manifestantes continuam paralisando o país, do governo às escolas, principalmente no sul. Eles dizem que não desistirão até que suas demandas sejam atendidas. A principal é uma reforma total do sistema eleitoral para a distribuição de posições com base em etnias e confissões, bem como a renovação de uma classe política instalada desde 2003, quando o ditador Saddam Hussein foi derrubado após a intervenção militar dos EUA.

Enquanto a instabilidade política e social só aumenta, outra ameaça preocupa o parceiro americano: na noite desta sexta-feira, mais uma vez, foguetes caíram novamente em uma base no norte de Bagdá, que abriga soldados dos EUA, de acordo com o Exército iraquiano.

Embora os autores dos disparos não tenham sido identificados, os americanos afirmam ter sido alvo de dez desses ataques nos últimos dois meses e os atribuem a facções armadas e financiadas por Teerã, seu inimigo jurado.


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