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Estado de Minas IRAQUE

Presidente ameaça renunciar


postado em 27/12/2019 04:00






Bagdá – O presidente iraquiano, Barham Saleh, pôs sua renúncia sobre a mesa ontem, explicando que se nega a propor ao Parlamento o nome do candidato da ala pró-iraniana para o posto de premiê, agravando um pouco mais a crise política no país. Dizendo-se um garantidor da “integridade” e da “independência” do país, Saleh – um curdo procedente de um partido tradicionalmente ligado ao vizinho iraniano, mas que desde o início dos protestos resiste às vaias nas ruas – enviou uma carta ao Parlamento.

O presidente diz estar “disposto a renunciar”, já que, segundo ele, a Constituição o obriga a propor ao Parlamento o candidato da “maior coalizão” na Casa. No momento, este título se encontra nas mãos do grupo liderado pelos paramilitares pró-Irã, embora esteja sob disputa com outras forças. “O presidente não tem o direito constitucional de se opor (...), sendo assim, anuncio aqui que estou disposto a renunciar perante o Parlamento”, disse Saleh na carta.

Desde que o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi deixou o posto, no fim de novembro, após ter sido abandonado pelo grande aiatolá Ali Sistani, figura tutelar da política iraquiana, os pró-Irã pressionavam para que o ministro do Ensino Superior o substituísse. Não sendo capaz de se impor a Saleh, que apontou que sua designação alimentaria ainda mais a ira das ruas, eles agora têm um novo candidato. Sistani, por sua vez, antecipou ontem que não tratará a situação política no sermão de hoje. Há três meses, preferiu manter distância dos políticos após a revolta inédita no país, que deixou até o momento quase 460 mortos e 25.000 feridos, e assegurou que não desempenhará nenhum papel na nomeação do primeiro-ministro.

Trata-se de Assaad al-Aidani, governador de Basra, que se destacou em 2018 ao descer pessoalmente de seu comboio para se unir com manifestantes nesta grande cidade petroleira do país. “Não queremos 'Assaad, o Iraniano'", gritavam os manifestantes em Kut, cidade do Sul. 

Já na Praça Tahrir, em Bagdá, imensos retratos deste antigo opositor de Saddam Hussein, durante um tempo refugiado no Irã e depois detido por vários anos nos porões do ditador, circulavam riscados pendurados em uma grande cruz vermelha.

Os manifestantes rejeitam os nomes que emergem da atual classe política e pedem líderes independentes, de preferência tecnocratas que não tenham participado de nenhum governo desde 2003. Naquele ano, foi derrubado o ditador Saddam Hussein, após uma ofensiva militar americana. Desde o início de outubro, a multidão reivindica nas ruas uma reforma total do sistema de distribuição dos postos em função das etnias e das confissões, assim como a renovação da classe política.

“O governo é refém dos partidos corruptos e das divisões confessionais. Vamos continuar protestando”, prometeu Sattar Yabbar, manifestante de Nassiriya. “Continuaremos, apesar da repressão das autoridades e dos homens armados das milícias”, afirmou Ali Jihad, outro jovem que protesta nesta cidade, onde os manifestantes voltaram a atear fogo à sede do governo, repetindo um ato de semanas atrás. Em Diwaniya, queimaram a sede de uma milícia favorável ao Irã.


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