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Estado de Minas ISRAEL

Netanyahu enfrenta primárias difíceis

Integrantes do Likud, partido de direita, votaram ontem para a escolha de novo líder. Resultado será divulgado hoje


postado em 27/12/2019 04:00

Principal rival do líder do Likud, Gideon Saar defendeu mudanças na legenda de direita israelense(foto: Jack Guez/AFP)
Principal rival do líder do Likud, Gideon Saar defendeu mudanças na legenda de direita israelense (foto: Jack Guez/AFP)



Jerusalém – Os membros do partido de direita Likud, de Benjamin Netanyahu, votaram ontem para definir seu novo líder, em primárias exigidas por Gideon Saar, principal rival do primeiro-ministro israelense e que deseja assumir o comando da sigla. Quase 116.000 integrantes do Likud participaram do processo, encerrado às 23h locais (18h de Brasília). A taxa de participação foi de 49%, segundo o partido. Os resultados serão divulgados na manhã de hoje. O vencedor das primárias terá a árdua tarefa de liderar a campanha do Likud nas legislativas de 2 de março. Netanyahu votou em sua residência, em Jerusalém, para onde foi levada uma urna.

Ao chegar à seção onde votou, perto de Telavive, Gideon Saar considerou que este é um “dia fatídico” para o Likud e para Israel. “Podemos ganhar hoje e percorrer um novo caminho que nos permita formar um governo forte e estável”, acrescentou. O deputado Saar tem poucas chances de vencer as primárias, que se apresentam como uma espécie de referendo da popularidade de Netanyahu.

“Precisamos de uma mudança para que o Likud permaneça no poder”, declarou à AFP Yaron, de 68 anos, morador de Jerusalém que votou em Gideon Saar. “Infelizmente, a instituição judicial acabou com Bibi”, completou, em referência a Benjamin Netanyahu, indiciado por corrupção em três casos. Para Nathan Moati, morador de Jerusalém, de 26, os partidários de Netanyahu não são afetados pelos problemas judiciais. “Apenas Bibi pode vencer as legislativas. Todos os partidários do Likud devem votar em Netanyahu”, defendeu.

O deputado Saar tem poucas chances de vitória nas eleições internas, que são consideradas uma espécie de referendo sobre a popularidade de Netanyahu. Mas um resultado apertado seria um duro golpe para o primeiro-ministro, líder do Likud desde 1993 – com exceção de um intervalo de seis anos quando o partido foi comandado pelo falecido Ariel Sharon – e o chefe de governo com mais tempo de poder na história de Israel.

“Netanyahu só tem a perder”, afirmou o analista Stephan Miller. “Independentemente do resultado obtido por Saar, esta é a primeira vez em 10 anos que eleitores da direita expressam explicitamente o desejo de se livrar de Netanyahu”, completa. Miller considera que, se Gideon Saar, de 53, receber mais de um terço dos votos, “isto será um golpe significativo para Netanyahu”.

Maioria 

Após as eleições antecipadas de abril, e depois da segunda votação em setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz conseguiram o apoio de 61 deputados, número que representa a maioria parlamentar para formar o governo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, confiou a missão ao próprio Parlamento, que tampouco teve êxito. Depois que Netanyahu, de 70, foi indiciado em novembro por corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos, que ele denuncia como “acusações falsas” com motivação política, seus rivais no Likud, com Saar à frente, exigiram eleições internas.

Saar, nome importante do partido, foi ministro em diversas ocasiões, antes de ser afastado por Netanyahu em 2014. Gideon Saar é considerado ainda mais à direita do que Netanyahu, especialmente na questão palestina. Apresenta-se, contudo, como um unificador além de seu próprio campo, com base em suas relações com os líderes de outros partidos. Também se apoia, sem declarar abertamente, no fato de que não é acusado pela Justiça, pois o partido Azul-Branco de Gantz se recusa a dividir o poder com um primeiro-ministro indiciado.

Pesquisas recentes mostraram que um Likud liderado por Saar conquistaria menos cadeiras no Parlamento em 2 de março do que um partido comandado por Netanyahu. Com Saar, no entanto, eleitores do Likud poderiam votar em outros partidos de direita. Nesse caso, a direita israelense, contando todos os partidos, poderia sair reforçada das urnas e superar potencialmente a barreira da maioria parlamentar necessária para formar um governo.

Perfil 

Gideon Saar não tem o carisma de seu ex-mentor Benjamin Netanyahu, mas está pronto para desafiá-lo. Nascido em Telavive, Gideon Sar é uma das figuras do Likud há uma década e foi várias vezes ministro nos governos Netanyahu entre 2009 e 2014. Foi, sobretudo, um dos primeiros a reivindicar primárias para designar um novo chefe do partido, depois que Netanyahu foi indiciado por corrupção. O premiê mais longevo da história de Israel sempre rejeitou nomear um sucessor para a liderança do Likud. E Saar o acusou, várias vezes, de afastá-lo.

Advogado e jornalista, o aspirante a liderar o partido entra na política em 1999, graças a Netanyahu, que o nomeia secretário de governo. A função já havia sido ocupada pelo governo de Ariel Sharon em 2001. Em 2003, entra no Parlamento, e é reeleito em 2006, 2009 e 2013. A popularidade de Gideon Saar cresce no partido, e sua rivalidade com Netanyahu se torna evidente.

Em setembro de 2014, quando é ministro do Interior, anuncia repentinamente "uma pausa" em sua corrida política para passar mais tempo com sua família. Depois renuncia à sua cadeira no Parlamento, embora continue sendo membro do Likud. Durante sua ausência, os comentaristas políticos o veem como possível sucessor de Netanyahu, que o considera uma ameaça. Em abril de 2017, anuncia seu retorno à política.

Casado com Gueula Even, uma famosa apresentadora, pai de quatro filhos, dois deles de um primeiro casamento, Saar parece ter uma personalidade mais tranquila do que a do premiê. “Parece mais um gentleman”, estima Gideon Rahat, professor de ciência política na Universidade Hebraica de Jerusalém. “A segunda diferença é que não é suspeito de corrupção”, completou. Reeleito deputado durante as legislativas de abril e de setembro de 2019, Gideon Saar “tenta ultrapassar o primeiro-ministro pela direita”, afirma Ofer Zalzberg, analista do International Crisis Group (ICG). O ex-estudante de ciência política é a favor da anexação das colônias israelenses na Cisjordânia ocupada e defende que se limite o poder da Suprema Corte em suas decisões sobre questões constitucionais.



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