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Estado de Minas

Turquia se prepara para enviar tropas à Líbia


postado em 26/12/2019 14:55

O presidente Recep Tayyip Erdogan abriu caminho, nesta quinta-feira (26), para uma intervenção militar direta da Turquia na Líbia, ao anunciar uma votação parlamentar sobre o envio de tropas em apoio ao governo de Trípoli frente ao general Khalifa Haftar, que controla o leste do país.

O ministro líbio do Interior do governo de unidade nacional (GNA), Fathi Bachagha, anunciou que poderá solicitar oficialmente apoio militar turco.

Haftar "ofereceu às forças estrangeiras bases militares na Líbia (...) e, se esta postura continuar, temos direito a defender Trípoli, e solicitaremos oficialmente ao governo turco seu apoio militar", declarou Bachagha à imprensa nesta quinta-feira na Tunísia.

Para justificar a intervenção, a Turquia se baseia no fato de o Governo de Acordo Nacional (GNA), o qual apoia militarmente, ser reconhecido pela ONU. Já o marechal Haftar não tem nenhuma legitimidade internacional, embora conte com o apoio de alguns países.

O deslocamento de soldados turcos no terreno poderia agravar, contudo, o conflito fratricida que devasta o país desde a queda do regime de Muamar Khadafi, em 2011, e que foi alimentado por potências regionais rivais.

A sobrevivência do GNA é fundamental para Ancara. A Turquia acaba de assinar um acordo de delimitação marítima que lhe permite fazer valer seus direitos em extensas regiões do Mediterrâneo Oriental, ricas em hidrocarbonetos e alvo da ambição de outros países, como Grécia, Egito, Chipre e Israel.

Em um discurso em Ancara, Erdogan explicou que a moção para o envio de soldados será apresentada em 7 de janeiro. "Se Deus quiser, poderemos fazê-la ser adotada em 8 ou 9 de janeiro e, assim, responder favoravelmente ao convite do governo legítimo líbio" de apoiá-lo militarmente, acrescentou.

"Apoiaremos por todos os meios o governo de Trípoli, que resiste a um general golpista apoiado por países árabes e europeus", continuou, em referência ao marechal líbio Khalifa Haftar.

O Parlamento turco aprovou no sábado um acordo de cooperação militar e de segurança, assinado com o GNA em 27 de novembro, durante uma visita a Istambul de seu líder, Fayez al Sarraj.

Este acordo entrou em vigor na quinta, após ser publicado pelo Diário Oficial.

- 'Senhor da guerra' -

O acordo com o GNA permite a ambas as partes enviar pessoal militar e policial para missões de treinamento e educação, informaram autoridades turcas.

Para obter a autorização de enviar forças à Líbia, o governo turco precisa que o Parlamento aprove um mandato separado, como faz anualmente para enviar militares ao Iraque e à Síria.

O marechal Haftar tem apoio da Arábia Saudita, do Egito e dos Emiratos Árabes Unidos, países que mantêm relações tensas com a Turquia e com o Catar, outro aliado do GNA.

"Estão apoiando um senhor da guerra. Quanto a nós, estamos respondendo ao convite do governo legítimo líbio. Essa é a diferença", destacou Erdogan.

O presidente turco sustenta que as forças de Haftar também estão recebendo apoio de uma empresa de segurança russa, dando crédito às informações publicadas na mídia e negadas por Moscou sobre a presença de mercenários russos na Líbia.


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