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Estado de Minas

Greve contra reforma da Previdência na França entra na 4ª semana


postado em 26/12/2019 12:42

O conflito quanto à tentativa de reforma da Previdência na França entrou em sua quarta semana, nesta quinta-feira (26), com um alto nível de adesão às greves que mantém o país semiparalisado, em especial no setor de transportes.

Hoje, o protesto iguala a duração da gigantesca greve dos transportes de novembro e dezembro de 1995, também deflagrada por uma tentativa do governo de reformar o sistema de aposentadorias e pensões. O texto acabou sendo retirado de pauta.

Mas, 24 anos depois, a situação parece estancada, sem sinais de que qualquer lado esteja disposto a ceder: nem os sindicatos, nem o governo liberal do presidente Emmanuel Macron.

A reforma da Previdência visa a fundir os 42 regimes de pensões existentes em um sistema "universal" e, em particular, abolir os "regimes especiais", incluindo os da RATP (metrô de Paris) e da SNCF (sistema ferroviário), que permite que seus funcionários se aposentem antes da idade mínima em comparação com outras categorias.

Outro ponto em disputa é a idade no sistema geral. O governo prometeu manter em 62 anos a idade em que um francês pode se aposentar sem desconto, se tiver 42 anos de serviço.

O projeto incorpora, contudo, descontos para quem se aposentar antes dos 64, mesmo que tenha cumprido o tempo de serviço necessário.

Os sindicatos que se opõem a este projeto alegam que "todos perderão" e mantêm a pressão. E, embora o número de grevistas - há três semanas sem salários - continue a cair, chegando a 42,1% entre os maquinistas, os serviços continuam sendo escassos.

Na região de Paris, está circulando apenas um em cada cinco trens suburbanos, concentrados em umas poucas horas da manhã e umas poucas horas da tarde.

Das 16 linhas de trens subterrâneos da capital, apenas as duas automáticas funcionam normalmente. Do restante, algumas fazem apenas parte do trajeto, operando em uma curta janela de horário. Outras estão fechadas há três semanas.

Ao contrário do que pedia o presidente Emmanuel Macron, os sindicatos se negaram a estabelecer uma trégua natalina, tendo, inclusive, multiplicado os protestos.

Os últimos dias foram marcados por bloqueios de garagens de ônibus, bloqueios de energia, refinarias de petróleo paradas, almoços "festivos" nos locais de trabalho e até uma apresentação do balé do Lago dos Cisnes com entrada gratuita na esplanada da Ópera de Paris por bailarinas em greve.

Para o próximo sábado, os sindicatos organizam e programam manifestações em todo país, apesar da previsão de temperaturas abaixo de zero.

Os professores também poderão participar da greve no início do ano, bem como algumas profissões liberais que possuem regimes autônomos, reagrupadas em um coletivo chamado SOS Retraite. Este coletivo convocou uma greve para 3 de janeiro, incluindo médicos, advogados, pilotos e comissários de bordo.


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