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Estado de Minas

Mobilização aumenta no Iraque, onde impasse político continua


postado em 24/12/2019 08:19

Os manifestantes reforçaram nesta terça-feira sua mobilização no Iraque, diante de autoridades paralisadas entre a pressão dos partidos pró-Irã e a incapacidade de renovar a classe política de um dos países mais corruptos do mundo.

Mais uma vez, a Praça Tahrir, em Bagdá, se encheu de manifestantes com grandes retratos dos candidatos a primeiro-ministro riscados com uma cruz vermelha.

As principais estradas e avenidas do sul do país seguem bloqueadas, assim como escolas, universidades e administrações públicas.

A desobediência civil, que vacilou nas últimas semanas devido a assassinatos, ataques e sequestros, foi restabelecida.

Para os iraquianos que estão nas ruas desde 1º de outubro, o sistema político estabelecido pelos americanos após a queda de Saddam Hussein em 2003 e agora infiltrado pelos iranianos atingiu seu limite.

E embora o governo tenha renunciado há um mês, os manifestantes querem acabar com o sistema de distribuição de cargos segundo etnias e confissões religiosas, bem como com a crescente interferência do Irã na vida do país.

Em 16 anos, a prometida recuperação econômica nunca se concretizou e metade das receitas do petróleo, de um dos países mais ricos do mundo neste recurso, foi desviada por políticos e empresários corruptos.

Enquanto isso, a classe política tenta encontrar um novo primeiro-ministro, mas para os manifestantes é inaceitável que o futuro chefe de Estado seja dos círculos de poder.

Paralisados há vários dias pela intransigência dos partidários do Irã, os políticos retomam nesta terça as negociações.

O partido sunita do chefe do Parlamento Mohamed al-Halbusi anunciou que desistiu de promover o candidato de Teerã, o ex-ministro do Ensino Superior Qussai Al Suheil, e pediu aos pró-Irã que busquem outro nome.

Assim que foi mencionado o nome de Assaad al-Aidani, governador de Basra de um partido pró-Irã, essa província se revoltou. Os manifestantes bloquearam as estradas que levam aos portos, especialmente o de Um Qasr, vital para as importações, de acordo com a AFP.

- "100 anos se preciso" -

"A cada hora, os partidos inventam um novo candidato. Mas queremos um independente", diz um jovem manifestante da província de Basra.

"Estamos dispostos a fazer a greve geral durar um dia, dois dias, três dias ... até cem anos, se preciso", continua esse jovem, com o rosto coberto para não inalar a fumaça negra dos pneus queimados.

Também no sul, as estradas foram cortadas em Nasiriyah, Diwaniya, Hilla, Kut e na cidade sagrada xiita de Najaf, enquanto piquetes impedem que os funcionários públicos trabalhem.

De fato, depois de "tantos sacrifícios" - cerca de 460 mortos e 25.000 feridos na repressão das forças de segurança - os manifestantes reiteram que não voltarão para suas casas antes que "todos os seus objetivos sejam alcançados".

O que exigem é nada menos que uma nova Constituição, uma nova lei eleitoral e a renovação total da classe política, descrita como "corrupta" e "incompetente".

Nesta terça-feira, o Parlamento deveria se reunir para examinar uma reforma eleitoral, algo que não ocorreu na segunda-feira devido à falta de quorum.


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