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Estado de Minas

Indianos desafiam proibição e continuam com protestos contra lei antimuçulmana


postado em 19/12/2019 12:13

Dezenas de milhares de indianos protestaram nesta quinta-feira em várias partes do país, desafiando a proibição de manifestações e os cortes no fornecimento de internet, para mostrar sua oposição a uma nova lei que consideram inconstitucional e discriminatória em relação aos muçulmanos.

As manifestações, muitas vezes marcadas por confrontos, foram registradas principalmente em Nova Délhi e nos estados do nordeste do país, o segundo mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes.

Em uma tentativa vã de coibir esses protestos, o governo proibiu as reuniões públicas de mais de quatro pessoas em várias cidades, resgatando um artigo de uma lei herdada do passado colonial britânico.

Mas o movimento de protesto, liderado principalmente por líderes da comunidade muçulmana, que representa 14% da população, é um dos mais importantes que o primeiro-ministro Narendra Modi já enfrentou até agora desde que chegou ao poder em 2014.

Os manifestantes denunciam uma nova lei que facilita a concessão da nacionalidade indiana a refugiados do Afeganistão, Paquistão ou Bangladesh, desde que não sejam muçulmanos.

A nova lei não afeta os indianos muçulmanos, mas causou enorme indignação após cinco anos no governo dos nacionalistas hindus de Modi.

- Governo quase fascista -

Em Nova Délhi, a polícia forçou muitos manifestantes a entrar num ônibus e deixar o local do protesto. Os manifestantes entregaram rosas vermelhas aos agentes que os forçavam a se dispersar.

Na manhã desta quinta-feira, o governo ordenou que as companhias de telefonia móvel cortassem o serviço em vários pontos da capital indiana, uma decisão não inédita.

A rede telefônica começou a ser restabelecida aos poucos no final da tarde, depois que as manifestações foram dissolvidas.

No entanto, cerca de vinte estações de metrô em Nova Délhi permaneceram fechadas.

Também houve incidentes violentos em Uttar Pradesh (norte), a região mais populosa da Índia, com 200 milhões de habitantes e uma importante comunidade muçulmana. Centenas de manifestantes queimaram veículos e atiraram pedras na polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo, segundo fontes policiais.

Uma das manifestações mais importantes ocorreu na cidade de Malegaon, no oeste, onde 60.000 pessoas se reuniram pacificamente, disse a polícia.

Em vários pontos do nordeste, onde os protestos começaram na semana passada e seis pessoas morreram violentamente, mais de 20.000 pessoas também se reuniram, constataram jornalistas da AFP no local.

A ONG Anistia Internacional (AI) pediu às autoridades indianas que "cessem a repressão contra os manifestantes pacíficos que protestam contra uma lei discriminatória".

A ONG descreveu como "implacável" a reação das forças de ordem, que os cidadãos acusam de comportamento violento.


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