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Estado de Minas

Sudaneses celebram o primeiro aniversário da revolução


postado em 19/12/2019 11:25

Os sudaneses comemoram nesta quinta-feira a revolta que derrubou o ditador Omar al Bashir depois de 30 anos no poder, um ano depois dos protestos contra o aumento do preço do pão.

Embora a situação esteja longe de ser idílica, o Sudão celebrará a revolução com festividades de Cartum a Porto Sudão, passando por Atbara (nordeste), onde começaram as manifestações em dezembro de 2018, depois que foi anunciado a triplicação do preço do pão.

Para prestar homenagem aos pioneiros de Atbara, um trem com centenas de pessoas a bordo partiu às 07h00 (02h00 de Brasília) de Bahri, ao norte de Cartum, em direção a esta cidade operária localizada a 350 km da capital.

É uma viagem simbólica organizada pelo governo de transição e pelas Forças para a Liberdade e Mudança (FLC), a principal organização do movimento de protesto. Lembra os trens dos manifestantes de Atbara enviados para Cartum.

O trem e seus passageiros permanecerão na cidade até 25 de dezembro, para participar da semana de comemorações.

Haverá celebrações em vários distritos de Cartum e, especialmente, no grande jardim Green Yard, renomeado "Praça da Liberdade".

Badr Mohamed, 22 anos, morador de Cartum, considera essas celebrações como uma oportunidade para "pedir justiça" pelos mortos durante os protestos.

Dezenas de pessoas morreram na repressão do movimento (177 segundo a Anistia e mais de 250 de acordo com um comitê de médicos).

Em dezembro de 2018, ocorreram manifestações em Atbara, bem como em Porto Sudão, o principal porto do país, localizado 1.000 km a leste da capital, e em Nhud (oeste).

Houve confrontos violentos entre manifestantes e a polícia. Mais tarde, o movimento se espalhou para outras regiões do país, incluindo Cartum.

O exército depôs Omar al Bashir em 11 de abril e tentou liderar a transição, mas teve uma oposição feroz dos manifestantes.

Sob um acordo concluído em agosto entre o exército e os manifestantes, o país é liderado por um governo de transição, com um primeiro ministro civil e um conselho soberano composto por civis e militares, que conduzirão o processo por três anos para organizar eleições livres.

No sábado passado, Al Bashir, detido desde abril em Cartum, foi condenado pela primeira vez a uma sentença de dois anos em uma instituição prisional por corrupção.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) o acusa de crimes durante a guerra em Darfur (oeste) a partir de 2003.

A Anistia Internacional elogiou nesta quinta-feira que os sudaneses podem "comemorar o fato de que sua ação coletiva pôs fim a uma repressão sufocante e abriram as portas à esperança de um futuro melhor".

A ONG lembrou, no entanto, que o governo de transição deve "honrar seu compromisso de restaurar o Estado de Direito" e reiterou a necessidade de extraditar Al Bashir para Haia, onde está localizado o TPI.

Em um relatório sobre os crimes em Darfur publicado na quarta-feira, a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH) pediu à comunidade internacional que pressione o Sudão "a facilitar o acesso à justiça para todas as vítimas, incluindo as de violência sexual".

Um ano após o início dos protestos, o país ainda sofre os efeitos do embargo econômico dos Estados Unidos (1997-2017), porque Washington o mantém em sua lista negra de "Estados que apoiam o terrorismo", o que, na prática, o exclui do sistema financeiro internacional e dificulta os investimentos estrangeiros.


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