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Estado de Minas

Greve na França apesar de pedido de diálogo do governo


postado em 13/12/2019 15:07

A mobilização contra a reforma da Previdência entrou em sua segunda semana na França e poderá se prolongar até o Natal apesar dos numerosos pedidos de "diálogo" do governo.

Longe de acalmar os ânimos, o detalhe sobre o projeto apresentou na quarta-feira o primeiro-ministro Edouard Philippe suscitou a oposição de todos os sindicatos, inclusive daqueles que apoiavam até então o começo da reforma e que pediram que a greve e os protestos fossem estendidos.

"É uma reforma de refundação antes de qualquer outra coisa", disse o presidente francês Emmanuel Macron nesta sexta-feira, evocando um projeto "histórico para o país", em resposta a perguntas insistentes durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.

"A única solução é trabalhar um pouco mais ... como no resto da Europa", acrescentou o presidente.

O primeiro-ministro reiterou sua determinação a estabelecer um "sistema universal de aposentadorias" por pontos para unificar os 42 sistemas diferentes no país, embora com algumas concessões aos sindicatos.

O calendário, por exemplo, se flexibilizou: o novo sistema somente se aplicará aos franceses nascidos a partir de 1975, anunciou Philippe. O desaparecimento dos regimes especiais está confirmado, mas para os condutores da companhia ferroviária SNCF e dos transportes parisienses RATP, que podem se aposentar a partir de 52 anos, a reforma se aplicará a partir dos nascidos a partir de 1985.

Também se anunciaram medidas para os mais pobres, sobretudo a instauração de uma aposentadoria mínima garantida de 1.000 euros.

No entanto, "a única solução é trabalhar um pouco mais de tempo (...) como é o caso em toda a Europa", advertiu o chefe de governo. Embora a idade legal de aposentadoria continua sendo 62 anos, o projeto prevê "uma idade de equilíbrio" progressiva aos 64 anos e o estímulo a trabalhar por mais tempo mediante um sistema de bônus.

O que é inaceitável para os sindicatos que prometeram prolongar o movimento.

Para eles, o governo ultrapassou um limite, disse nesta quarta-feira Laurent Berger, número um do principal sindicato da França, a CFDT. Favorável em princípio a um regime universal de aposentadoria, a CFDT rejeita a instauração da idade de 64 anos para se aposentar.

- Franceses divididos -

Nesta sexta-feira, nas estradas e nos transportes públicos, o tráfego permaneceu bastante perturbado, especialmente na região de Paris, onde nove linhas de metrô ficaram fechadas e mais da metade das linhas de ônibus não circulava.

Entre congestionamentos e transporte lotado, os parisienses se mostravam cada vez mais cansados.

"Eu ando 10 km por dia agora!", reclamou Alain, que trabalha no centro da capital. "São necessários bons sapatos ... porque isso vai durar".

Em Drancy, um subúrbio do nordeste de Paris, Romain Makonda, 36 anos, se queixa das horas que ele perde no caminho para o trabalho.

Segundo ele, acorda às 5h00 da manhã para pegar no trabalho às 8h00 e ainda chegada atrasado.

"Ainda não comecei o dia e estou cansado. É difícil", comenta.

O movimento social parecia, no entanto, reduzido, com uma queda na taxa de participação na greve de 13,3% (55,6% em 5 de dezembro, primeiro dia do conflito), segundo os sindicatos.

Nesta sexta-feira, o embarque de produtos da refinaria foi interrompido, pois quatro das oito usinas existentes no país foram afetadas pela greve, segundo a CGT.

Os franceses estão divididos sobre a reforma, segundo uma pesquisa. Na enquete, 50% dizem que são favoráveis e 49% são contra.

A aposentadoria é uma questão delicada na França, pois a população defende com unhas e dentes um dos sistemas mais generosos do mundo.

E o contexto já é tenso no país, com o surgimento do movimento de protestos dos "Coletes Amarelos" há um ano, mas também com descontentamento generalizado em hospitais ou na polícia.


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