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Estado de Minas

Jeremy Corbyn, um esquerdista radical esquivo sobre questão do Brexit


postado em 10/12/2019 08:31

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, que responde a duras acusações de antissemitismo, é um ex-eurocético incomodado com a questão do Brexit, que prefere insistir nas profundas desigualdades da sociedade britânica e promete reduzi-las com radicais políticas de distribuição.

Pertencente a uma esquerda radical, que atribui à União Europeia as medidas de austeridade, este ex-sindicalista septuagenário de voz suave e barba branca manteve durante muito tempo a ambiguidade sobre o tema que divide a sociedade britânica.

Mas, pressionado por seu partido, tomou recentemente uma decisão: se chegar ao poder, prometeu negociar um novo acordo de divórcio que mantenha uma estreita relação com a UE - para proteger empregos e o meio ambiente - e submetê-lo a um referendo junto com a opção de simplesmente anular o Brexit.

O acordo negociado pelo premiê Boris Johnson terá um "impacto desastroso" na "segurança dos alimentos que comem, em seus direitos trabalhistas, na contaminação do ar que respiram e nos empregos e indústrias nas quais trabalham", disse, dirigindo-se aos eleitores.

No entanto, fiel aos muitos eleitores trabalhistas receosos com a UE, não revela sua posição pessoal e anunciou que não faria campanha por nenhuma opção em caso de um segundo referendo.

- "Antissemitismo" e guerra à desigualdade -

Defensor da causa palestina, enfrentou duríssimas acusações de racismo contra judeus por não reagir a tempo, nem com firmeza às muitas denúncias de antissemitismo nas fileiras de seu partido.

"Não há lugar para o antissemitismo de nenhuma forma, nem em nenhum lugar, no Reino Unido moderno e sob um governo trabalhista não será tolerado", afirmou há duas semanas, pedindo perdão por ter sido "lento demais" em impor sanções.

Com um dos programas mais à esquerda já visto em décadas no Reino Unido, se chegar a Downing Street, prometeu uma "transformação nacional" sem precedentes, investindo 150 bilhões de libras (193 bilhões de dólares) para melhorar escolas e hospitais e 250 bilhões de libras para impulsionar a descarbonização da economia.

Também prometeu estatizar serviços como a água, a energia elétrica, o serviço ferroviário, os correios e a fibra óptica. E, engajado em uma guerra contra a desigualdade, ameaçou inclusive acabar com as escolas privadas do país.

- Vegetariano e rebelde -

Nascido em 26 de maio de 1949, Corbyn desenvolveu seu compromisso político com seus pais, um engenheiro e uma professora, que se apaixonaram durante uma manifestação contra a guerra civil espanhola.

Cresceu no oeste da Inglaterra e nunca gostou de estudar. Terminado o ensino médio, viveu dois anos na Jamaica como voluntário. Em sua volta, instalou-se em Islington, um bairro do norte de Londres que então era o coração dos protestos de esquerda.

Desde 1983, é deputado dessa circunscrição, onde continua morando em uma casa modesta, com sua terceira esposa, a advogada mexicana Laura Álvarez, 20 anos mais jovem. Fala fluentemente espanhol e utiliza o idioma para se comunicar com o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon.

É vegetariano, pai de três filhos e em 2015 declarou ao jornal britânico The Guardian que leva uma vida "muito normal" e segue deslocando-se de bicicleta.

Após anos de trabalhismo centrista de Tony Blair, este homem que encarna a ala mais à esquerda do partido, teve que lutar para impor suas ideias.

Eleito líder do partido em 2015, enfrentou uma parte de sua estrutura que se recusava ser comandada por alguém que consideravam um rebelde. Um ano depois de ser eleito, enfrentou uma moção de censura interna, mas sobreviveu e foi afiançando sua autoridade.

Para surpresa de todos, elegeu 262 deputados nas legislativas antecipadas de 2017, trinta a mais que dois anos antes.

Suas posições radicais e seu progresso eleitoral fizeram dele um exemplo para partidos da extrema esquerda europeia, como o espanhol Podemos ou o grego Syriza.

Mas nada lhe garante sucesso agora: de oratória enfadonha e sem carisma é, segundo as pesquisas, o líder opositor mais impopular dos últimos 45 anos.


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