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Estado de Minas

EUA impõe sanções a milícias iraquianas pró-Irã e 12 pessoas são mortas em Bagdá


postado em 06/12/2019 21:01

Os Estados Unidos acusaram, nesta sexta-feira, o Irã de interferir no processo de formação de um governo no Iraque e impôs sanções a líderes de milícias iraquianas, enquanto em Bagdá um ataque contra manifestantes terminou com ao menos 12 mortos.

Esses novos falecimentos elevam a 440 o número total de mortos, em sua maioria manifestantes, desde o início dos protestos, que também deixaram 20.000 feridos, segundo boletim realizado pela AFP com base em fontes médicas e dos serviços de segurança.

O grande aiatolá Ali Sistani, líder dos xiitas do Iraque, pediu que o novo governo seja nomeado "sem ingerência estrangeira", enquanto as maciças manifestações que percorrem o país entram em seu terceiro mês.

Ao menos 12 manifestantes foram mortos em Bagdá por um grupo de homens armados que atacou o estacionamento que as vítimas ocupavam há semanas.

Os manifestantes, que pedem uma mudança de regime no país, temiam episódios de violência com a chegada de simpatizantes do movimento pró-iraniano Hashed Al Shaabi na Praça Tahrir, epicentro do protesto, em uma demonstração de força na quinta-feira.

No incidente desta sexta-feira, em uma capital onde reina o caos, homens armados chegaram a bordo de caminhonetes ao edifício onde fica o estacionamento e atiraram, segundo uma emissora de TV pública.

Os manifestantes querem um governo totalmente renovado, uma nova Constituição e uma classe política diferente, não corrupta como a atual, que em 16 anos roubou o equivalente a duas vezes o PIB do país.

Os Estados Unidos denunciam repetidamente o que consideram uma intervenção iraniana nos assuntos iraquianos.

"Estamos pedindo aos vizinhos que não se intrometam nem enfraqueçam a Constituição do país", disse David Schenker, o principal diplomata dos Estados Unidos para o Oriente Médio, sobre a formação de um governo no Iraque após a saída, em novembro, do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi.

Schenker declarou que a presença do comandante de elite iraniano Qasem Soleimani em Bagdá é "incrivelmente problemática" e constitui "uma grave violação da soberania iraquiana". Soleimani é o chefe da força Al-Qods dos Guardiães da Revolução, exército ideológico do Irã.

Paralelamente, o Tesouro americano anunciou sanções a líderes de milícias iraquianas com laços com iranianos.

As sanções recaem sobre três líderes de milícias - Qais al-Khazali, Laith a-Khazali e Hussein Falil Aziz al-Lami - que são parte das Forças de Mobilização Popular, ou Hashed al-Shaabi.

O aiatolá de 89 anos, o principal líder religioso xiita do Iraque, interveio direta ou indiretamente nas nomeações e destituições de todos os primeiros-ministros desde a derrubada do ditador Saddam Hussein, após a invasão do país pelos Estados Unidos em 2003.

Sistani garantiu que nesta ocasião "não faz parte" das negociações e não desempenha "nenhum papel" no processo em andamento para formar governo.

Desde 1 de outubro, o Iraque sofre episódios de violência e é palco de manifestações maciças. Os cidadãos protestam contra seus dirigentes, em um dos países más corruptos do planeta, contra o desemprego, que afeta um em cada quatro jovens, e contra a pobreza endêmica.


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