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Estado de Minas

Austrália, ponto de partida da nova onda mundial de protestos pelo clima


postado em 29/11/2019 13:31

Envoltos em uma espessa nuvem de fumaça tóxica devido a incêndios que assolam a costa leste da Austrália, manifestantes protestaram nesta sexta-feira contra as mudanças climáticas em Sydney, o ponto de partida para um novo dia de manifestações globais.

Centenas de pessoas, incluindo jovens em idade escolar, responderam ao chamado da jovem ativista sueca Greta Thunberg.

Os manifestantes se reuniram em Sydney em frente à sede do partido conservador no poder, acusado de subestimar a ameaça do aquecimento global. Agitavam faixas que diziam "Você queima o nosso futuro", enquanto gritavam "Vamos nos levantar".

Essas mobilizações adquirem um aspecto particular no país devido às centenas de incêndios florestais que devastaram os estados de Nova Gales do Sul (sudeste) e Queensland (nordeste).

Desde o início de outubro, seis pessoas morreram, centenas de casas foram destruídas e mais de 1,5 milhão de hectares foram devorados pelas chamas.

O primeiro-ministro Scott Morrison, alvo dos protestos, nega que exista uma ligação entre esses incêndios e as mudanças climáticas. Seu governo é um forte defensor da indústria de mineração australiana.

"A falta de ação do nosso governo na crise climática ampliou os incêndios", disse Shiann Broderick, líder do movimento de greve escolar. "A população sofre. Comunidades como a nossa estão sofrendo e o verão nem começou", disse ele.

A Austrália, com 25 milhões de habitantes, reduziu suas emissões de gases de efeito estufa mais do que os países mais poluentes do mundo, mas continua sendo um dos maiores exportadores de carvão.

"Sugerir, de uma maneira ou de outra, que a Austrália, responsável por 1,3% das emissões globais, tem um impacto direto em incêndios específicos, aqui ou em outras partes do mundo, não se apoia em nenhuma evidência científica credível", declarou Morrison no início deste mês.

- "Facer algo concreto" -

Também houve protestos em Tóquio, onde centenas de pessoas marcharam pelo distrito de Shinjuku.

"Sinto uma sensação de crise porque quase ninguém no Japão está interessado" na questão das mudanças climáticas, disse Mio Ishida, um estudante de 19 anos.

"Fiquei muito inspirado pelas ações de Greta. Pensei que se não agisse agora, seria tarde demais. Queria fazer algo concreto", ressaltou.

Em Nova Délhi, a capital mais poluída do mundo, cerca de 50 estudantes realizaram uma marcha até o ,inistério do Meio Ambiente, carregando cartazes e cantando slogans exigindo que o governo declare emergência climática.

"Trata-se de fazer algo pelo que você acredita", explica Saumya Chowdhury, de 23 anos.

"Queremos que o governo o reconheça e discuta esse assunto com o povo".

A Índia é uma das maiores fontes de gases de efeito estufa e possui 14 das 15 cidades mais poluídas do mundo, segundo um estudo das Nações Unidas.

No mês passado, milhões de pessoas protestaram em todo o mundo em resposta a um pedido de greve climática.

Essa nova onda de manifestações ocorre faltando alguns dias para Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima (COP25), que começará em 2 de dezembro em Madri.


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