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Estado de Minas

Justiça vai se pronunciar em janeiro sobre cardeal acusado de encobrir abusos


postado em 29/11/2019 10:55

O Tribunal de Apelação de Lyon adiou para 30 de janeiro a decisão apóso segundo julgamento do cardeal Philippe Barbarin, que recorreu da sentença de seis meses de liberdade condicional por não ter denunciado um padre pedófilo.

"Estou aliviado, não consigo acreditar na decisão da justiça [...] quero dizer às vítimas que meus pensamentos estão com elas", comentou na saída da audiência. Como na primeira instância, a Promotoria não pediu a condenação nesta sexta-feira.

O procurador-geral Joël Sollier pediu ao tribunal que tomasse uma decisão "fundamentada e serena", distinguindo o "caso individual" do arcebispo de Lyon das "falhas" cometidas pela Igreja diante da pedofilia de seus padres.

Em seu primeiro julgamento, a Promotoria sugeriu a absolvição de Barbarin, o mais alto dignitário católico do país, mas o tribunal de primeira instância o condenou, em 7 de março, por não denunciar as agressões cometidas contra crianças escoteiras, antes de 1991, pelo padre Bernard Preynat. Destituído em julho, Preynat será julgado criminalmente em janeiro.

Os juízes o consideraram culpado duas vezes: em 2010, quando Preynat confessou seus crimes e Barbarin não disse nada, embora esse delito tenha prescrito; e em 2014, quando uma vítima do padre, Alexandre Hezez, o informou dos ataques e o cardeal não alertou a justiça.

Nesta sexta-feira, a defesa do prelado enfatizou que "acusar um inocente não é defender uma causa".

Segundo o procurador-geral, "é difícil considerar que o cardeal Barbarin quis ou estava ciente de estar atrapalhando a justiça". Na ausência deste elemento intencional, considera que a infração prescreveu.

Por outro lado, François Devaux, co-fundador da associação de vítimas que interpôs o recurso considerou que "não é o homem que está sendo atacado. Há fatos claros e que já foram destacados na condenação em primeira instância sobre a materialidade e intencionalidade dos eventos".


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