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Estado de Minas

Aiatolá Sistani pede novo governo no Iraque; número de mortos em protestos supera 400


postado em 29/11/2019 09:49

O grande aiatolá Ali Sistani, figura crucial da política iraquiana, defendeu nesta sexta-feira a substituição do governo, após um dos dias mais violentos do movimento de protesto, que já deixou mais de 400 mortos.

Desta maneira, o líder religioso xiita, de 89 anos, expressou pela primeira vez o apoio inequívoco aos manifestantes, que desde outubro exigem a queda do regime e a renovação da classe política, que acusam de corrupta, de ignorar a população e de reprimir os protestos com violência.

Pouco depois do sermão do aiatolá Sistani, um manifestante faleceu em Nasiriya, cidade do sul do país, o que elevou a mais de 400 o número de vítimas fatais em dois meses de protestos.

Na quinta-feira, 46 manifestantes morreram e quase mil ficaram feridos em várias localidades do país, na região sul e em Bagdá.

A população aguardava a reação do aiatolá nesta sexta-feira, enquanto combatentes tribais e civis, armados, tomaram ruas e estradas.

- "Repensar a opção" -

"O Parlamento do qual surgiu o governo atual está convocado a repensar a opção que tomou naquele momento e a atuar pelo bem do Iraque, para preservar a vida de seus filhos e evitar que o país afunde na violência, o caos e a destruição", declarou Sistani em um sermão lido por um de seus auxiliares na cidade de Kerbala.

Os deputados de oposição, os vinculados ao ex-primeiro-ministro Haider Al Abadi e os comandados pelo polêmico líder xiita Moqtada Sadr, que formam o principal bloco do Parlamento, afirmaram que pretendem organizar uma moção de censura o mais rápido possível.

Na quinta-feira, Moqtada Sadr afirmou que se o governo do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi não renunciasse, isto seria o "início do fim do Iraque".

Os paramilitares das Forças de Mobilização Popular, ligados ao Irã, segunda bancada do Parlamento e forte apoio do governo, também parecem disposto a ceder à vontade do grande aiatolá.

"Suas ordens são nossas ordens", tuitou Qais al Jazali, um de seus comandantes.

Nas ruas, a pressão permanece intensa, tanto na capital Bagdá como nas cidades do sul: Najaf, Diwaniya, Al Hilla e Nasiriya.

Nesta última, onde 26 manifestantes morreram na quinta-feira, atingidas por tiros das forças de segurança lideradas por um comandante militar enviado de Bagdá, o confrontos foram retomados.

Manifestantes foram feridos quando tentavam chegar à sede da polícia. Uma delegacia foi incendiada, a segunda em dois dias nesta cidade.

Desde quarta-feira, o movimento de protesto entrou em uma nova fase com os manifestantes gritando "Fora Irã" e "Vitória para o Iraque". Eles incendiaram o consulado iraniano de Najaf, cidade visitada anualmente por milhões de peregrinos do país vizinho.

A repressão aumentou, assim como a resposta dos manifestantes.

Em Nasiriya, o governador conseguiu, antes de renunciar, que o Executivo central demitisse o comando militar da região.

Para tentar proteger os manifestantes da repressão, um grupo de combatentes tribais de Nasiriya, armados, bloqueou na quinta-feira a estrada que liga a cidade com a capital Bagdá.

Nesta sexta-feira, os homens não estavam mais no local, mas vários manifestantes queimaram pneus em pontes e estradas.

Em Najaf, homens à paisana atiraram durante a madrugada contra qualquer pessoa que se aproximava das sedes dos partidos políticos.

Em Bagdá, bombas de gás lacrimogêneo dominam o centro histórico, transformado em campo de batalha entre jovens, que atiram pedras, e policiais, que mataram dois manifestantes na véspera.

O movimento de protesto deseja o fim do sistema político criado pelos americanos após a queda de Saddam Hussein, em 2003.

Os manifestantes consideram que o país é manipulado pelo Irã, que ganhou influência em relação aos Estados Unidos nos últimos anos.


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