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Estado de Minas

Bolívia dá guinada radical e retoma relações com Israel


postado em 28/11/2019 19:19

O governo provisório da Bolívia deu uma guinada radical na "política externa extraviada" da administração Evo Morales, ao anunciar que seu país restabeleceu relações com Israel, rompidas desde 2009, e que quer estreitar os laços com os Estados Unidos.

A ideia do governo transitório de Jeanine Áñez, que assumiu por sucessão constitucional, após a renúncia em 10 de novembro de Evo Morales, asilado no México, é "retificar todo o mal que fez o governo anterior", disse a chanceler Karen Longaric em coletiva com a imprensa estrangeira.

"O menos que se podia esperar deste governo era retificar a política externa, uma política externa extraviada e que não atendia aos interesses próprios do Estado e era altamente ideologizada", afirmou.

- Israel -

No afã de refazer a política de Morales, que governou durante cerca de 14 anos, Longaric anunciou o restabelecimento de relações com Israel, cinco anos depois da ruptura por causas políticas.

Seu contraparte israelense, também provisório, Yisrael Katz, acolheu "com satisfação" esta decisão.

Desde que assumiu o poder, há duas semanas, Áñez rapidamente buscou se diferenciar da política externa de seu antecessor: distanciou-se de Cuba e Venezuela, aliados políticos de Morales, ao expulsar 725 médicos cubanos e reconhecer Juan Guaidó como presidente encarregado da Venezuela após romper relações com Nicolás Maduro.

- Relações com os EUA -

A Bolívia se propõe a "fortalecer as relações com os Estados Unidos", para o que designou na terça-feira o embaixador Oscar Serrate.

O governo transitório foi reconhecido por Donald Trump.

Em 2008, Morales expulsou o então embaixador americano, Philip Goldberg, acusando-o de apoiar um movimento de direita que supostamente pretendia dividir a Bolívia. Washington expulsou, em reciprocidade, o representante de La Paz. Depois, o ex-chefe de Estado boliviano também expulsou do país a agência antidrogas DEA e o organismo de cooperação USAID.

Durante a crise diplomática, os Estados Unidos colocaram a Bolívia em uma lista de países que não cumpriam com seus compromissos de luta contra o narcotráfico e em 2014 retirou o país do programa de benefícios comerciais e alfandegários ATPDEA, na sigla em inglês.

- China e Rússia -

Ao mencionar as relações com China e Rússia, parceiros comerciais da Bolívia durante o governo de Morales, Longaric disse, por sua vez, que cabe "fortalecê-las", mas também reconduzi-las, redirecioná-las e zelar pelos interesses do país, protegendo os recursos naturais.

Com a China, que desenvolve no país negócios como a mineração e a construção civil, a Bolívia mantém um déficit comercial que no ano passado alcançou 1,617 bilhão de dólares. Pequim lhe concedeu, ainda, um crédito de 10 bilhões de dólares.

La Paz assinou recentemente um acordo com a empresa chinesa Xinjiang Tbea Group-Baocheng para a construção de oito usinas de lítio nas salinas bolivianas de Coipasa e Pastos Grandes, com um investimento de 2,39 bilhões de dólares. Em fevereiro passado, conseguiu certificar suas reservas de lítio de 21 milhões de toneladas.

O país desenvolve também com a Rússia vários projetos com a Gazprom, que assumiu a exploração de pelo menos dois mega-campos para avançar na troca da matriz energética de toda a sua frota de ônibus públicos, de diesel a GNL e GNV. Também trabalha em um projeto para um complexo de energia atômica com fins medicinais e agroindustriais, que desencadeou uma forte oposição na Bolívia.

- México -

Longaric descartou que seu país vá romper relações diplomáticas com o México devido à negativa de entregar dois ex-ministros do governo Evo Morales asilados na embaixada mexicana e acusados pela Justiça de terrorismo e sedição.

"Não acho que este 'impasse' sobre os asilados políticos chegue a esse extremo", disse Longaric em relação à negativa mexicana de dar cumprimento ao pedido da procuradoria boliviana de que entregue os ex-ministros Juan Ramón Quintana e Vilma Alanoca.

Sobre Quintana, ex-titular da Presidência e braço direito de Morales, apesar de uma ordem de prisão por "sedição, instigação pública para delinquir, terrorismo e financiamento ao terrorismo"; e sobre Alanoca, de Cultura e Turismo, por "instigação para delinquir".

Morales renunciou em 10 de novembro, após várias semanas de violentos protestos desatados por sua vitória nas eleições presidenciais de 20 de outubro e que a oposição e a OEA tacharam de fraudulentas.

Desde então, na Bolívia morreram 33 pessoas.

Segundo Longaric, "a atitude do governo do México vai se suavizando e ele vai compreender que efetivamente pesam sobre alguns asilados acusações muito sérias sobre crimes muito graves".

"Em caso de que se recusem a entregar pessoas com crimes comuns seria um problema muito grave para eles e incômodo para nós", acrescentou.


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