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Estado de Minas

Papa se reúne com o imperador do Japão e com vítimas de catástrofes


postado em 25/11/2019 07:43

O papa Francisco se reuniu nesta segunda-feira com o novo imperador do Japão, Naruhito, e com as vítimas do terremoto, tsunami e da catástrofe nuclear de 2011 no Japão, quando expressou sua preocupação com o uso da energia atômica.

"Bem-vindo ao Japão", afirmou em espanhol o imperador, ao receber o pontífice na entrada do Palácio Imperial de Tóquio, para um encontro privado de meia hora.

O papa presenteou o imperador, entronizado há um mês, com um quadro do pintor romano Filippo Anivitti (1876-1955).

Antes da conversa com o imperador, no terceiro dia de sua viagem ao país asiático, Francisco se reuniu com as vítimas do terremoto, do tsunami e da catástrofe nuclear de 2011 no Japão.

O pontífice ouviu os depoimentos das vítimas do terremoto submarino de 9,0 graus de magnitude de 11 de março de 2011 que provocou uma onda gigante no nordeste do Japão, o que matou mais de 18.500 pessoas.

A onda atingiu a central nuclear de Fukushima e provocou o pior acidente nuclear desde o de Chernobyl (Ucrânia) em 1986.

Francisco agradeceu a todas as pessoas que "se mobilizaram imediatamente depois dos desastres, para apoiar as vítimas".

"Uma ação que não pode ser perdida no tempo e desaparecer depois do choque inicial, e sim que devemos perpetuar e sustentar", declarou, ao recordar as "mais de 50.000 pessoas que foram retiradas, atualmente em casas temporárias, ainda sem condições de retornar para seus lares".

Quase 470.000 habitantes tiveram que abandonar suas casas nos primeiros dias da catástrofe, incluindo 160.000 na área das duas centrais nucleares em Fukushima. Além das vítimas do tsunami, as autoridades reconhecem mais de 3.700 mortes em consequência da deterioração das condições de vida dos afetados.

"A situação implica, como bem destacaram meus irmãos bispos no Japão, a preocupação pelo uso contínuo da energia nuclear", declarou o papa.

Os bispos japoneses "pediram a abolição das centrais nucleares", ressaltou.

Em 2016, a Conferência Episcopal do Japão fez um apelo ao mundo para o fim da produção de energia nuclear.

"O que o Japão viveu após a catástrofe de Fukushima nos mostra que devemos informar ao mundo sobre os perigos da produção de energia nuclear e pedir sua abolição", escreveram na época os bispos japoneses.

"Nossa era sente a tentação de fazer do progresso tecnológico a medida do progresso humano", disse Francisco.

"É importante, em momentos como este, fazer uma pausa e refletir sobre que somos e, talvez de maneira mais crítica, sobre quem queremos ser", completou.

O sumo pontífice também pediu a tomada de decisões corajosas sobre a exploração dos recursos naturais, sobretudo das futuras fontes de energia.

Depois do encontro com o imperador Naruhito, o papa se reuniu com jovens na catedral de Santa Maria de Tóquio e abordou temas como o bullying, muito presente no Japão.

Francisco, que no domingo visitou Nagasaki e Hiroshima, cidades japonesas vítimas da bomba atômica, celebrará uma missa ainda nesta segunda-feira e terá uma reunião com o primeiro-ministro Shinzo Abe.


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