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Estado de Minas

Milhares protestam contra o governo na Colômbia


postado em 21/11/2019 18:37

Dezenas de milhares de colombianos participaram nesta quinta-feira (21) das maiores passeatas contra as políticas do presidente Iván Duque, que enfrenta a mais baixa popularidade desde que assumiu o cargo há 15 meses.

O variado grupo de entidades organizadoras dos protestos, que inclui sindicatos, estudantes, indígenas, ambientalistas e opositores de Duque, convocou uma "greve nacional" nas principais cidades da Colômbia contra as políticas econômicas, sociais e de segurança do presidente conservador.

"É um acúmulo de situações que esperamos que, assim que estiverem em uma grande mesa nacional de negociações, possam ser revistas depois desta jornada de greve", disse à AFP o presidente da Confederação Geral do Trabalho, Julio Roberto Gomez.

Até o meio-dia, a polícia informou que tudo ocorreu dentro da "normalidade", embora existam relatos de confrontos "isolados" entre agentes os serviços de segurança e manifestantes encapuzados, além de bloqueios nos sistemas de transporte e ruas de algumas cidades.

As maiores passeatas foram registradas em Bogotá, Barranquilla, Cartagena, Neiva, Bucaramanga e Medellín. Boa parte das empresas, universidades e colégios cancelaram previamente suas atividades.

Milhares de estudantes marcharam na capital em direção ao aeroporto internacional. A polícia de choque utilizou bombas de efeito moral para impedir sua passagem, disse um repórter da AFP.

- "Fim" da violência -

O líder comunitário Luís Fernando Arias andou ao lado de dezenas de guardas indígenas que chegaram a Bogotá.

"Esperamos que a violência em nossos territórios cesse", disse. "Que não continuem nos matando".

Também entre os manifestantes, a universitária Valentina Gaitán, rodeada de estudantes que cantavam e dançavam, mostrava um cartaz para convocar mais gente para a mobilização: "Que o privilégio não tira sua empatia".

"Há muito medo de sair para as ruas, mas mesmo assim saímos porque grande parte desse medo foi espalhada pelo Estado com repressão simbólica, militarização, fechamento de fronteiras", afirmou Gaitán.

Duque chefia um posto de comando unificado em Bogotá com o alto comando militar e policial e os Ministros da Defesa e Interior.

O presidente reconheceu na quarta-feira a legitimidade de algumas reivindicações, mas disse que há uma campanha baseada em "mentiras" que busca desencadear violência: "Embora reconheçamos o valor do protesto pacífico, também garantiremos a ordem".

A Colômbia fechou as fronteiras até sexta-feira por "segurança" e expulsou pelo menos 24 venezuelanos que queriam se infiltrar nos protestos.

Em Bogotá, soldados foram enviados para proteger "instalações estratégicas", segundo o gabinete do prefeito. A polícia deteve na terça-feira duas pessoas por atos violentos em outras manifestações e invadiu cerca de trinta residências, meios comunicação alternativos e centros culturais.

Algumas ações foram "declaradas ilegais" por falta de "provas", reconheceu o promotor Fabio Espitia.

A ONU mostrou sua "preocupação" com o "aumento" de militares nas ruas antes das mobilizações.

- "Descontentamento" regional -

Para o analista Jason Marczak, as manifestações contra Duque, que desde que assumiu o cargo em agosto de 2018 enfrentou vários protestos, são "uma considerável demonstração de descontentamento na região".

"As reivindicações não atendidas e a profunda polarização servem como cenário para essa demonstração maciça", disse o especialista do centro de estudos do Atlantic Council, com sede em Washington.

As centrais dos trabalhadores convocaram o protesto social no mês passado e, desde então, uniram-se a vários setores que medirão forças com Duque, incapaz de consolidar uma maioria no Congresso e ante os duros reveses de seu partido, o Centro Democrático de Direita, nas eleições locais de outubro.

O movimento trabalhista rejeita as reformas do governo para tornar o mercado de trabalho mais flexível e mudar o sistema previdenciário, os indígenas exigem proteção após o assassinato de 134 membros da comunidade desde que Duque assumiu o cargo, e os estudantes querem mais recursos para a educação pública.

Todos questionam as políticas econômicas do governo, sua política de segurança concentrada na luta contra o narcotráfico e sua tentativa de modificar o pacto de paz que levou ao desarmamento da antiga guerrilha das Farc em 2016.

Numa Colômbia que espera um crescimento econômico acima da média regional, mas com altas taxas de desigualdade e desemprego, a "greve nacional" gerou uma expectativa especial pela revolta social que, sem um denominador comum, abalou o Equador, o Chile e a Bolívia.


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