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Estado de Minas FRANçA

Coletes amarelos voltam às ruas


postado em 17/11/2019 04:00

Polícia dispersou os manifestantes no 1º aniversário do movimento(foto: Philippe Lopez/AFP)
Polícia dispersou os manifestantes no 1º aniversário do movimento (foto: Philippe Lopez/AFP)

 
Enfraquecido, mas ainda vivo, o movimento popular dos “coletes amarelos” franceses, que surgiu há exatamente um ano, mobilizou ontem milhares de pessoas no país, sobretudo em Paris, onde foram registrados atos violentos e mais de cem detenções. Centenas de manifestantes se reuniram em diversos pontos da capital francesa. Em algumas áreas, grupos violentos se infiltraram nos protestos, enfrentaram as forças de segurança, jogaram tijolos, incendiaram latas de lixo e viraram veículos. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar a multidão, que se refugiou em cafés e lojas próximas.

À noite (no horário local), a polícia tinha registrado um total de 129 presos em Paris. Segundo a Procuradoria da capital francesa, 78 pessoas foram postas em prisão provisória. “Não vamos recuar. Continuamos aqui, embora Macron não queira, continuamos aqui”, gritaram alguns manifestantes, em tom de desafio, na Place d'Italie, ao Sul da cidade. “Seguimos mobilizados porque queremos um futuro melhor para nós e nossos filhos. A situação na França está cada vez pior”, disse à AFP Rémi, um funcionário público de 39 anos, que preferiu não revelar o sobrenome.

Em 17 de novembro de 2018, mais de 300 mil pessoas, a maioria vestidas com o colete amarelo fluorescente que os motoristas deixam em seus veículos para usar em caso de acidente, saíram às ruas da França para protestar contra um imposto sobre o combustível. Em pouco tempo, o movimento sem líderes nem estrutura, organizado graças ao Facebook, colocou em xeque o governo do presidente francês Emmanuel Macron, revelando o profundo descontentamento nas classes mais modestas pela perda do poder aquisitivo, o aumento dos impostos e as desigualdades sociais.

Estímulo 

No primeiro aniversário do movimento, os “coletes amarelos” desejam dar um novo estímulo aos protestos, porque para muitas pessoas as causas que levaram à mobilização não desapareceram. Nos últimos 12 meses, de acordo com uma contagem dos manifestantes, 23 pessoas perderam um olho depois de receberem o impacto de uma bala de borracha e outras cinco sofreram a amputação de uma mão na explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo.


 


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