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Estado de Minas TRêS DéCADAS

Após o muro, o fosso


postado em 09/11/2019 04:00


Queda do Muro de Berlim unificou as Alemanhas, mas padrões do Oeste ainda superam os do Leste(foto: AFP %u2013 11/11/89)
Queda do Muro de Berlim unificou as Alemanhas, mas padrões do Oeste ainda superam os do Leste (foto: AFP %u2013 11/11/89)


Trinta anos depois da queda do Muro de Berlim, o contraste entre o Leste e o Oeste da Alemanha vai se apagando pouco a pouco. Mesmo assim, em 2018 o PIB per capita das cinco regiões ligadas ao antigo lado comunista só representava 74,7% da porção capitalista. Desde 2010, essa diferença diminuiu 3,1 pontos, graças a pequenas e médias empresas e ao dinamismo de Berlim, Leipzig e Dresden. A ex-República Democrática Alemã (RDA) começou longe em 1990, com um setor industrial falido, herdeiro do coletivismo.

A melhora, porém, não compensa a ausência de grandes empresas como Volkswagen, Siemens e Bayer, cujas sedes estão no lado Oeste, onde empregam milhares de pessoas. Isso se reflete na renda salarial: no ano passado, um trabalhador do Oeste ganhava, em média, 3.339 euros brutos por mês, enquanto ao restante eram pagos 2.600 euros.

Em uma Alemanha globalmente envelhecida, em que a idade média passou de 40 anos em 1990 a 45 em 2018, a situação demográfica da antiga RDA continua sendo problemática. Desde 1991, a população do Leste passou de 14,6 milhões para 12,6 milhões de habitantes, enquanto no Oeste (incluindo Berlim), subiu de 65,3 milhões  para 69,6 milhões.

Politicamente, no reduto antes entregue ao comunismo cresceram as correntes conservadoras. Criado em 2013, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conseguiu seus melhores resultados no Leste, onde já tinha entre 20% e 30% dos votos, enquanto no Oeste consegue, em média, cerca de 10%.

O Leste, onde os partidos tradicionais e a antiga esquerda comunista estão em queda, também é um celeiro para o movimento islamofóbico Pegida, que reuniu nos últimos anos milhares de manifestantes em Dresden.

Essa situação está relacionada, segundo os cientistas políticos, com o fato de muitos alemães do Leste continuarem nutrindo o sentimento de serem "cidadãos de segunda classe". Assim, 74% consideram, segundo uma pesquisa recente, que continuam existindo "diferenças muito grandes" entre as duas partes do país.



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