Uma mulher e seus quatro filhos de uma comunidade mórmon americana instalada no norte do México foram assassinados nesta segunda-feira por um grupo de homens armados, que sequestraram duas mulheres e oito crianças, denunciou um dos líderes da comunidade.
Julián Lebarón, líder mórmon e ativista, afirma que criminosos que agem na região de Rancho de la Mora, na divisa entre os estados de Sonora e Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos, mataram sua prima e a família.
"Minha prima Rhonita seguia com seu marido para o aeroporto de Phoenix (EUA) quando foi emboscada. Atiraram e queimaram sua caminhonete com ela e seus quatro filhos (...). Foi um massacre", disse Lebarón à Rádio Fórmula.
O ativista revelou que seus familiares encontraram a caminhonete calcinada e com os corpos da mulher e das crianças dentro.
Outras duas mulheres, cada uma dirigindo uma caminhonete com seus filhos, totalizando oito menores, estão desaparecidos desde o ataque, segundo Lebarón, que teme que estejam mortos.
Segundo o líder mórmon, algumas crianças conseguiram escapar e se esconder em um bosque, e um destes meninos lhe relatou o ataque.
"Temos alguns militares e alguns (policiais) federais aqui conosco. Estamos na estrada subindo a serra de Sonora a procura das crianças desaparecidas", informou Lebarón.
Perguntado sobre quem poderia ter cometido o crime, Lebarón disse que "aqui é uma zona de guerra" onde agem os cartéis das drogas e todo tipo de "matador".
Segundo a imprensa mexicana, a maioria dos desaparecidos tem dupla nacionalidade, mexicana e americana.
Lebarón faz parte de uma comunidade e mórmons que se transferiu para o México no final do século XIX, em meio à perseguição nos Estados Unidos por suas tradições, em especial a poligamia.
Com o aumento da violência ligada ao narcotráfico, estas comunidades se viram afetadas e Benjamín Lebarón, irmão de Julián, se tornou um ativista ao criar a organização SOS Chihuahua, que denunciava grupos criminosos.
Benjamín foi assassinado por homens armados junto com seu cunhado em julho de 2009, após liderar manifestações contra o sequestro de seu irmão de 16 anos.
