Publicidade

Estado de Minas

Confira o que se sabe sobre o assassinato de Marielle Franco


postado em 31/10/2019 17:37

Um ano e meio depois do assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro há dois suspeitos presos e se conhecem alguns detalhes da investigação, mas a principal pergunta - Quem mandou matar Marielle? - continua sem resposta.

O caso voltou à tona nesta semana depois que uma reportagem da TV Globo citou na terça-feira um testemunho que vincula o presidente Jair Bolsonaro a um dos suspeitos, provocando uma réplica cheia de insultos do presidente nas redes sociais.

Na quarta-feira, o Ministério Público do Rio desmentiu a validade do testemunho.

- Como foi o assassinato?

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018 às 21H30 na região central do Rio.

A vereadora negra de 38 anos - identificada com a defesa da minoria LGBT e com as denúncias de violência policial nas favelas - voltava para casa depois de participar de um debate com jovens negras, quando seu carro foi baleado: ela foi atingida por quatro disparos na cabeça e o motorista por três tiros nas costas, segundo um relatório policial citado pela GloboNews.

Os investigadores afirmam que os tiros partiram de um outro veículo.

Os investigadores logo esbarraram em um primeiro obstáculo, ao descobrirem que cinco das onze câmaras de vigilância instaladas no trajeto de Marielle haviam sido misteriosamente desconectadas no dia anterior ao crime.

- Quem matou Marielle Franco?

Dois ex-policiais militares foram presos em março deste ano sob a suspeita de serem os autores do crime: Ronnie Lessa, de 48 anos, suspeito de ter feito os disparos, e Elcio de Queiroz, de 46 anos, suposto motorista do carro em que estavam.

Lessa vivia no mesmo condomínio que o então deputado Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Lessa e Queiroz também tinham vínculos com as milícias paramilitares que aterrorizam várias favelas.

Essas milícias, formadas no Rio há cerca de duas décadas para supostamente combater o tráfico nas favelas, são integradas por vários ex-policiais e acabaram se transformando em máfias que cobram altas taxas em troca de "proteção".

Seus abusos foram denunciados em várias ocasiões por Marielle Franco, que foi assessora parlamentar do então deputado Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio em 2008. O relatório final da CPI pediu o indiciamento de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis.

- Quem ordenou o crime?

Até o momento ninguém foi oficialmente apontado como autor intelectual do assassinato.

O Ministério Público do Rio considerou em março "indiscutível que Marielle Franco foi vítima de uma execução sumária devido à sua atividade política e às causas que defendia".

Em um primeiro momento, Marcello Siciliano, um vereador do Rio que já teve seu nome várias vezes relacionado às milícias, foi considerado o principal suspeito, segundo detalhes do processo vazados pela imprensa.

Na última sexta-feira, o portal de notícias Uol revelou um documento confidencial que incrimina o ex-deputado estatal do Rio, Domingos Brazão, que também teria vínculos com as milícias.

Brazão "arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio", segundo uma denúncia enviada em setembro pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Uol também revelou que Brazão teria pago 500.000 reais a milicianos para que executassem a vereadora.

- Como o nome de Bolsonaro apareceu?

A reportagem da TV Globo indica que Elcio de Queiroz esteve horas antes do crime no complexo residencial do Rio onde Ronnie Lessa e Bolsonaro eram vizinhos.

Segundo esse relatório, baseado no testemunho do porteiro do condomínio, Queiroz teria pedido que interfonassem para a casa de Bolsonaro, de número 58, para conseguir a autorização de entrada no condomínio. Bolsonaro teria dado a permissão.

O porteiro registrou o número de casa do presidente em uma planilha com as entradas e saídas de veículos, segundo uma cópia do documento obtido pela TV Globo.

Entretanto a promotora Simone Sibilio explicou na última quarta-feira que o porteiro "mentiu" e que os registros da cabine de controle de entradas do condomínio e as investigações demonstraram que o suspeito pediu que o porteiro interfonasse para a casa de Ronnie Lessa. A promotora informou também que Lessa e Queiroz saíram juntos do local.

Na reportagem, a TV Globo ressaltou registros de que Bolsonaro não estava em casa no dia da morte de Marielle, mas na Câmara dos Deputados em Brasília.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu na quarta-feira a abertura de uma apuração sobre as "inconsistências" na investigação do Rio, diante da "eventual tentativa de vinculação indevida do nome do presidente no crime".


Publicidade