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Estado de Minas

Crise de migrantes venezuelanos protagoniza debate da comunidade internacional


postado em 28/10/2019 10:49

A comunidade internacional debate nesta segunda-feira (28) como ajudar os países da América Latina a enfrentar a chegada de milhares de imigrantes venezuelanos e apoiar as comunidades de acolhida, para evitar a xenofobia.

Nesta segunda, começam dois dias de Conferência Internacional de Solidariedade sobre a crise dos refugiados e emigrantes venezuelanos, organizada pela União Europeia (UE) e pelas Nações Unidas.

O objetivo é participar da resposta dos governos latino-americanos que abrigam a maioria dos milhões de venezuelanos que fugiram de seu país no "maior deslocamento da história recente da América Latina", de acordo com a ONU.

Horas antes do encontro, a ONG Oxfam alertou para o surgimento de "narrativas anti-imigratórias" na Colômbia, no Peru e no Equador pela chegada de milhares de imigrantes e refugiados venezuelanos.

"As narrativas anti-imigratórias estão começando a enquadrar seu discurso com base em medos já conhecidos, (...) acentuando sentimentos xenofóbicos e discriminatórios", escreveu a Oxfam em um relatório intitulado "Sim, mas não aqui" sobre as percepções das populações locais em relação aos migrantes da Venezuela.

Dos quase 4,5 milhões de venezuelanos que fugiram de seu país, a Colômbia abriga 1,4 milhão, seguida por Peru (860.000), Chile (371.000), Equador (330.000) e Brasil (212.000), detalha a ONU.

"O investimento nas comunidades é fundamental para ter um antídoto contra o ressentimento local que possa surgir", de acordo com um funcionário da ONU, que pediu atenção à "evolução política na Venezuela e em toda região".

A América Latina, que viu milhões de pessoas partirem para os Estados Unidos, ou para a Europa, no final do século XX, está sob pressão para atender aos venezuelanos que, em número significativo, estão migrando por terra, mar e ar.

E tudo isso em um contexto de estagnação política na Venezuela, que enfrenta a pior crise política, econômica e social de sua história recente, afastando a possibilidade de retorno dos migrantes ao seu país.

- Ajuda milionária -

Embora o evento, que começa nesta segunda-feira com uma primeira parte mais técnica com a intervenção do enviado especial da ONU Eduardo Stein, não seja uma conferência de doadores, não está descartado que alguns países coloquem números em seu auxílio.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Josep Borrell, que em 1º de dezembro se tornará o próximo chefe da diplomacia europeia, já anunciou que seu país contribuirá com 50 milhões de euros em três anos para mitigar os efeitos da crise migratória.

Em dezembro, as Nações Unidas solicitaram 738 milhões de dólares para ajudar os venezuelanos e seus países anfitriões. Segundo o responsável da ONU, esta quantia deve dobrar este ano, devido ao contínuo deslocamento de venezuelanos, que poderiam chegar a 5,3 milhões.

Os organizadores esperam que, ao final da reunião em que as necessidades de cada país serão discutidas, o anúncio final de uma conferência de doadores seja divulgado, afirmam fontes comunitárias.

A sessão política da reunião terá início às 18h e vai até o meio-dia de terça-feira. Nela, os representantes da América Latina, entre os quais os ministros das Relações Exteriores de Colômbia, Peru e Equador, terão o protagonismo.

Nem o governo de Nicolás Maduro nem a oposição liderada por Juan Guaidó foram convidados.


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