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Estado de Minas

Congresso dos unionistas norte-irlandeses contra o acordo do Brexit


postado em 26/10/2019 09:55

Os unionistas do pequeno partido da Irlanda do Norte DUP se reúnem em congresso neste sábado (26) para um novo episódio da saga do Brexit, no qual conseguiram desempenhar um papel desproporcional em relação à sua importância numérica, opondo-se aos sucessivos acordos de retirada.

Com seus dez deputados, esses ultraconservadores protestantes, para os quais a união com a Grã-Bretanha é uma questão existencial, emergiram da marginalidade ao se tornarem aliados dos conservadores no poder, graças aos quais alcançaram a maioria.

Também conseguiram bloquear as duas versões do acordo de Brexit concluído por Londres com Bruxelas, primeiro o da primeira-ministra Theresa May e depois o de seu sucessor Boris Johnson.

A líder do partido, Arlene Foster, tomará a palavra neste sábado para atacar o acordo de Boris Johnson, que cria um estatuto diferente para a Irlanda do Norte em relação ao do Reino Unido uma vez fora da União Europeia.

Desde as eleições antecipadas de 2017, nas quais Theresa May perdeu a maioria, o DUP tem tido muito peso no Brexit e sua rejeição ao acordo da então primeira-ministra a levou a renunciar há cinco meses.

No ano passado, Boris Johnson, aplaudido calorosamente, pediu aos delegados reunidos em congresso que resistissem a um Brexit que os forçaria a adotar "várias das regras da UE".

Este ano, seu acordo para o Brexit, que prevê precisamente uma adaptação aos regulamentos da UE em matéria de normas sanitárias e impostos, será o alvo das críticas.

Os unionistas consideram que o acordo cria uma fronteira no Mar da Irlanda e, em última instância, torna mais provável a unificação com a República da Irlanda, seu pesadelo.

A questão irlandesa está no centro das dificuldades do Brexit, já que o estabelecimento de uma fronteira física entre a província britânica ao norte e a república ao sul colocaria em risco os acordos de paz concluídos em 1998, que terminaram com trinta anos de conflito entre republicanos e unionistas.

O acordo de Brexit proposto por Boris Johnson impõe controles alfandegários quando o Reino Unido deixar o mercado único e a União Aduaneira, tanto entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte como entre as duas partes da Irlanda.

"O partido tem razão em dizer que o novo acordo acabará enfraquecendo a posição da Irlanda do Norte", informou recentemente o editorialista Fintan O'Toole no jornal britânico Irish Times. "Mas é o resultado do Brexit que eles aplaudiram com tanto entusiasmo."


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