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Estado de Minas

ONGs acusam a Turquia de expulsar sírios para seu país em guerra


postado em 25/10/2019 06:55

As ONGs Anistia Internacional e Human Rights Watch acusaram, nesta sexta-feira (25), a Turquia de forçar vários sírios a retornar a seu país em guerra nos meses que antecederam o início da ofensiva turca no nordeste da Síria.

Em relatórios publicados separadamente, as duas ONGs acusam a Turquia de ter "enganado ou forçado" os sírios a assinar um documento assegurando que desejavam entrar "voluntariamente" na Síria.

Segundo a Anistia, a polícia enganou os sírios, assegurando-lhes que, se assinassem esse documento, escrito em turco e que não podiam ler, manifestavam sua vontade de permanecer na Turquia ou confirmavam que haviam sido bem recebidos no país.

Para Anna Shea, investigadora da Anistia citada no relatório, "os retornos foram tudo, menos voluntários". "Agora, existem milhões de refugiados sírios que estão em perigo", acrescentou, solicitando "o fim dos retornos forçados".

A Anistia disse que encontrou "20 casos confirmados" de expulsão forçada, mas estima que o número seja "provavelmente de várias centenas".

A Human Right Watch, por sua vez, alega ter colhido o testemunho de 14 sírios que afirmam terem sido expulsos entre janeiro e setembro para Idlib, uma província do noroeste da Síria afetada pelos bombardeios do regime e de seu aliado russo nos últimos meses.

Em 9 de outubro, a Turquia lançou uma ofensiva no nordeste da Síria contra uma milícia curda considerada "terrorista" por Ancara, mas aliada dos ocidentais na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico. Esta operação militar é a terceira da Turquia ao sul de sua fronteira desde 2016.

A ação anterior ocorreu no início de 2018, quando forças turcas e seus representantes sírios tomaram a área de Afrin, de maioria curda, causando outra grande onda de deslocamento.

Segundo Ancara, o principal objetivo de suas incursões é estabelecer uma "zona de segurança", que deve acomodar uma parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios que a Turquia recebeu desde o início do conflito sírio, em 2011.

Em várias ocasiões, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, insistiu na natureza "voluntária" dos retornos à Síria.

Consultadas pela AFP, fontes diplomáticas turcas rejeitaram as acusações de expulsões.

"As acusações de retornos forçados ou de pessoas 'enganadas' não são verdadeiras", disseram as fontes, que insistiram que "ninguém foi forçado a assinar um documento. Isso não se discute".

A Turquia quer que os refugiados retornem à Síria "voluntariamente, com segurança e com dignidade", acrescentaram.


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