Dois manifestantes foram mortos nesta sexta-feira (25) em Bagdá, onde o movimento de contestação foi retomado após dias de luto pela morte no início do mês de mais de 150 pessoas, informou a Comissão para os Direitos Humanos do governo.
"Segundo relatórios preliminares, eles foram atingidos no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo", afirmou à AFP Ali al-Bayati, membro da Comissão, acrescentando que quase cem manifestantes e membros das forças de ordem ficaram feridos.
Os agentes dispararam gás lacrimogêneo para dispersar milhares de manifestantes nos acessos à Zona Verde, onde estão os principais órgãos do governo e a embaixada dos Estados Unidos.
A onda de protestos deflagrada no início do mês foi marcada pela violência e deixou, entre 1º e 6 de outubro, 157 mortos, a maioria manifestantes, segundo números oficiais.
Na quinta-feira não houve registro de incidentes na capital iraquiana ou no sul do país.
O ministro do Interior, Yasin Al Yaseri, foi na noite de quinta à Praça Tahrir para garantir que as forças de segurança estavam presentes para "proteger" os manifestantes.
O governo de Adel Abdel Mahdi, no poder há um ano, decretou a mobilização geral das forças de segurança a partir da noite de quinta-feira.
Os protestos denunciam a corrupção e exigem empregos e serviços públicos de qualidade em um país rico em petróleo, mas onde falta eletricidade e água potável.
Moqtada Sadr, antigo líder de milícia e agora convertido em arauto dos protestos, convocou seus seguidores a ocupar as ruas e afirmou que seus combatentes estão preparados para "proteger os manifestantes".
Vencedor das eleições legislativas e integrante da coalizão de governo, Moqtada Sadr exige a demissão do gabinete e a antecipação das eleições.
Em uma recente demostração de força, combatentes das "Brigadas da Paz" de Sadr apareceram armados durante desfiles em seu bastião de Bagdá, conhecido como Sadr City.
