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Estado de Minas

Oposição na Venezuela protesta para apoiar estado em crise


postado em 24/10/2019 19:55

Opositores se mobilizaram nesta quinta-feira (24) em solidariedade ao estado de Zulia (oeste), que já foi um dos mais poderosos da Venezuela por sua riqueza em petróleo, e hoje sofre com uma severa crise econômica.

Cerca de 500 pessoas participaram de uma passeata em Caracas para denunciar a situação em Zulia - cuja capital é Maracaibo -, onde ocorrem apagões diários que duram até 12 horas e falta gasolina, água e gás.

Ao mesmo tempo, centenas de simpatizantes do governo se reuniram no centro de Caracas contra a "ingerência imperial", em alusão às pressões dos Estados Unidos para tirar do poder o presidente Nicolás Maduro.

"Zulia não está sozinha", postou no Twitter o líder do Parlamento Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido no cargo por 50 países, que não compareceu ao protesto, apesar de ser um de seus organizadores.

Grades instaladas por agentes de segurança impediram que a passeata chegasse à sede da companhia elétrica estatal Corpoelec.

Fora da capital, a adesão ao protesto foi baixa e em Maracaibo, as pessoas continuaram se concentrando no abastecimento de combustível e na obtenção de outros bens básicos.

"Nos sentimos muito desanimados, tristes e impotentes porque ninguém nos ajuda", afirmou em Maracaibo José Uzcátegui, técnico em refrigeração, na fila desde a madrugada para se abastecer de gasolina.

A escassez de itens básicos acentuou após um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos em abril.

Durante o protesto em Caracas, María Betancourt contou que se mudou de Zulia para a capital há dois meses, buscando melhores condições.

"Caracas é Nárnia porque nada acontece aqui", disse a contadora, impactada pela atividade comercial da capital, em referência ao mundo de fantasia criado pelo escritor britânico C. S. Lewis.

Segundo a Câmara de Comércio de Maracaibo, as vendas na cidade caíram 70% entre julho e setembro, em comparação ao trimestre anterior.

A Venezuela, outrora potência petroleira, atravessa a pior crise de sua história recente com uma drástica queda na produção de petróleo e uma inflação estimada pelo FMI em 200.000% para 2019.

Guaidó tenta reativar as mobilizações que acompanharam suas ações no início do ano e prepara um protesto para 16 de novembro.

Além da passeata em Caracas, os simpatizantes do governo realizaram uma concentração em Maracaibo liderada por Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte que comanda o país com poderes absolutos.

"O povo de Zulia está sendo submetido (..) a uma grande tortura por parte do imperialismo norte-americano", afirmou Cabello, ao acusar os Estados Unidos dos graves problemas registrados nesta região.


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