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Estado de Minas

Cinco tópicos econômicos para entender as eleições na Argentina


postado em 22/10/2019 16:01

A crise econômica na Argentina desafia a possibilidade de reeleição do presidente liberal Mauricio Macri contra o opositor Alberto Fernández, apoiado por peronistas de centro e de esquerda.

Macri promoveu um plano de abertura que incluía medidas de austeridade, como a eliminação de subsídios e a restrição da base monetária, que ele afirma serem necessárias para corrigir os desequilíbrios econômicos deixados por sua antecessora Cristina Kirchner, agora aspirando à vice-presidência na chapa com Fernández.

Dois modelos opostos serão medidos no domingo nas eleições presidenciais e de renovação parcial do Congresso.

Veja a seguir os tópicos cruciais econômicos de uma situação crítica, em que a oposição está se mobilizando para colher mais rejeições ao governo do que adesões:

1. Inflação

A Argentina é um dos poucos países emergentes e em desenvolvimento que não conseguiu domar a inflação. Enquanto para todo esse grupo o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma média de 4,7% no final de 2019, a previsão para a Argentina é de 57,3%, uma das mais altas do mundo.

De janeiro a setembro, a inflação acumula 37,7%. Uma forte depreciação da moeda (34% de janeiro a setembro) e um comportamento de inércia influenciam o alto índice de preços, segundo Matías Rajnerman, analista da consultoria Ecolatina.

Desde a crise de 2001, os argentinos vivem com taxas de inflação de dois dígitos, mas nesses anos "não houve aumento de preço assim", alertou.

O governo congelou as tarifas de serviços e combustíveis na última etapa da campanha e eliminou alguns impostos. "O próximo terá que desarmar o problema rapidamente", disse Rajnerman.

Até agora, nem Fernández nem Macri apresentaram um plano claro de como atacar a inflação.

2. Recessão

O país está em recessão desde o segundo trimestre de 2018, com uma queda de 2,5% no PIB em 2018. O FMI estima que o declínio em 2019 será de 3,1% e em 2020 de 1,3%.

Macri garante em campanha que "agora sim, o crescimento chega, porque quatro anos (de governo) são pouco". Fernández prometeu à União Industrial Argentina (UIA) que o setor, o mais punido com o fechamento de fábricas, será um pilar da recuperação. Até agora, acumula 16 meses consecutivos de recessão.

A queda no consumo e as taxas de juros de até 80% ao ano, com as quais tenta-se conter a fuga de divisas, sufoca as possibilidades de crescimento. "Nenhuma economia eficiente pode crescer com taxas de juros extravagantes", disse Pablo Tigani, mestre em Política Econômica Internacional.

3. Pobreza

O aumento da pobreza é uma das questões que mais preocupam os argentinos. Algumas semanas atrás, o Congresso aprovou uma lei de emergência alimentar para alocar mais recursos aos planos sociais.

"Inflação mais recessão resultaram em um aumento acentuado dos níveis de pobreza, que passou de 29% estimados em 2015 para 35,4% no primeiro semestre de 2019", disse Victor Beker, diretor do Centro de Estudos da Nova Economia.

Fernández propôs um plano para unir o Estado com empresas e organizações da economia popular em um Conselho federal para baixar os preços da cesta básica e implementar uma política alimentar.

4. Déficit

Com um plano de austeridade severo, a Argentina conseguiu reduzir o déficit fiscal primário de quase 7% do PIB em 2015 para cerca de 0,5% este ano.

Em troca, o FMI concedeu ao país um empréstimo de 57 bilhões de dólares em três anos, dos quais desembolsou 44 bilhões desde maio de 2018, quando os mercados internacionais fecharam a porta.

5. Dívida

A dívida chega a 315 bilhões de dólares, e o governo estima que em junho equivalia a 68% do PIB. Atualmente, as agências de classificação de risco calculam esse índice em quase 100% do PIB.

O governo Macri propôs adiar as datas de vencimento. Fernández descartou um calote, mas esclareceu que a Argentina pagará na medida em que possa crescer e gerar dólares.

O ministro das Finanças, Hernán Lacunza, recomendou que "vença quem vencer" entre rapidamente em negociação amigável com os credores, para que o país possa acessar os mercados novamente.

"Uma negociação hostil seria mais onerosa. Nenhum país pode gastar um ano e meio pagando dívidas sem refinanciamento, nenhum país faz isso", disse.


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