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Estado de Minas

Pássaro mais barulhento do mundo, ave amazônica tenta ganhar amada no grito

Níveis do canto da araponga-da-amazônia atingem 113 decibéis, acima do limite da dor para o ser humano e equivalente a um avião turboélice a 60 metros de distância ao atingir a potência de decolagem


postado em 21/10/2019 21:13 / atualizado em 21/10/2019 22:42

Artigo publicado pela revista Current Biology destaca o canto da araponga-da-amazônia (Procnias albus)(foto: Anselmo d'AFFONSECA / AFP)
Artigo publicado pela revista Current Biology destaca o canto da araponga-da-amazônia (Procnias albus) (foto: Anselmo d'AFFONSECA / AFP)
Nos confins da Amazônia, um pássaro de plumagem branca, do tamanho de um pombo, volta sua cabeça para a amada e lhe dirige um chamado ensurdecedor, similar ao barulho de uma buzina, alcançando em decibéis níveis similares aos de um bate-estaca.


Trata-se da araponga-da-amazônia (Procnias albus), que acaba de desbancar seu vizinho da floresta, o cri-crió (Lipaugus vociferans), como a ave mais barulhenta do mundo, segundo artigo publicado nesta segunda-feira (21) na revista Current Biology.


Os biólogos Jeff Podos, da Universidade de Massachusetts Amherst, e Mario Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), escreveram no artigo que os chamados da espécie são tão altos que eles se questionavam como as fêmeas poderiam ouvi-los a curta distância sem danificar seu aparelho auditivo.


A façanha é ainda mais impressionante se levadas em conta as dimensões desta ave, do tamanho de um pombo e pesando aproximadamente 250 gramas.


Além do canto, os machos se diferem das fêmeas pela carne escura com pontos brancos que pende de seu bico. As fêmeas são de cor verde com machas escuras e desprovidas da protuberância no bico.


Podos explicou à AFP que teve a sorte de presenciar fêmeas unindo-se aos machos em galhos, enquanto cantavam.


"Ele canta a primeira nota com a face virada, e depois faz seu giro dramático e quase teatral, cantando com as patas bem abertas e a carne do bico agitando-se ao redor", disse. "E então, ele detona a segunda nota bem onde a fêmea estaria".


Não está claro porque elas se expõem voluntariamente tão de perto a este som, que atinge níveis máximos de 113 decibéis, acima do limite da dor para o ser humano e equivalente a um show de rock ruidoso ou um avião turboélice a 60 metros de distância ao atingir a potência de decolagem.


"Talvez estejam tentando avaliar os machos de perto, mesmo correndo o risco de sofrer algum dano em seus sistemas auditivos", acrescentou Podos.


Os pesquisadores usaram gravadores de alta resolução e vídeos em alta velocidade para retardar a ação o suficiente para estudar como este pássaro usa sua anatomia para alcançar níveis de ruído tão altos.


"Não sabemos como animais tão pequenos conseguem ser tão barulhentos. Estamos realmente nas primeiras etapas de entendimento desta biodiversidade", disse.


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