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Estado de Minas

Líderes políticos visitam a Catalunha, foco de campanha eleitoral


postado em 21/10/2019 10:13

O chefe de Governo espanhol Pedro Sánchez (PSOE) e o líder da oposição viajaram nesta segunda-feira para a Catalunha para homenagear as forças de segurança após uma semana de violentos protestos pró-independência que centralizam a campanha eleitoral.

A três semanas das eleições legislativas de 10 de novembro, os distúrbios ocorridos na Catalunha começaram a perturbar o líder social-democrata, a quem a direita exige medidas para restaurar a ordem.

Pesquisas recentes apontam para uma queda do PSOE, que continua sendo a primeira força política do país, e um avanço do conservador Partido Popular e do Vox (extrema-direita), que cresceu exponencialmente após a tentativa de secessão de 2017 na Catalunha.

Sánchez visitou a sede da Polícia Nacional em Barcelona, alvo dos protestos, e os agentes feridos ainda hospitalizados.

"É evidente que os radicais e os violentos decidiram fazer de Barcelona o palco de operações para levar a todos os espanhóis a sua contestação", disse em discurso na delegacia.

"A crise não acabou (...) Eles provavelmente querem persistir, transforma esta crise em crônica. Mas somos muito mais persistentes", acrescentou.

Em um hospital, dezenas de funcionários da saúde receberam Sánchez aos gritos de "liberdade aos presos políticos".

"Se o Estado não quiser dialogar, devemos forçá-lo", disse Montse Serra, uma tradutora de 53 anos.

Mas Sánchez tem sido pressionado pela oposição, cujo líder Pablo Casado, do Partido Popular, exigiu que "intensifique as operações policiais" na região.

"Esperamos que a ordem e a segurança sejam garantidas de maneira efetiva e imediata", disse ele em frente à mesma delegacia de Barcelona, decorada com flores depositadas pelos catalães contrários à secessão.

- "Acabar com os confrontos" -

As sentenças proferidas na segunda-feira passada pelo Supremo Tribunal Federal de entre 9 e 13 anos de prisão para nove líderes separatistas pela tentativa de secessão de 2017 inflamaram a Catalunha.

Depois de anos reivindicando seu pacifismo, os protestos foram marcados por violência, com um saldo de 600 feridos.

Os confrontos foram contundentes: barricadas em chamas e o lançamento de objetos contundentes contra a polícia, que respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e um caminhão jogando água.

Na sexta-feira foram registrados 182 feridos, 152 deles em Barcelona, palco de uma longa batalha após uma marcha pacífica que reuniu 525.000 pessoas, segundo a polícia.

No fim de semana, a situação se acalmou.

"A maneira de acabar com os confrontos é fazendo política", disse o ex-vice-presidente regional e principal condenado pelo Supremo Tribunal, Oriol Junqueras, à TV regional TV3. "O Estado precisa se sentar à mesa e dialogar", insistiu ele em um questionário por escrito, respondido da mesma maneira da prisão.

Desde sábado, o presidente regional Quim Torra pede a Sanchez que inicie uma "negociação sem condições" para resolver o conflito.

Nesta segunda-feira, ele solicitou uma reunião, aproveitando a viagem do presidente a Barcelona. Segundo uma porta-voz, Torra tentou, sem sucesso, falar com ele por telefone três vezes.

Por carta, o governo socialista rejeitou a proposta, censurando-o por não ter condenado fortemente a violência e ignorando metade dos catalães que não apoiam a secessão.

Na quinta-feira, no Parlamento regional, Torra propôs uma nova votação sobre a independência antes de terminar seu mandato no início de 2022.


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