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Estado de Minas

Sem representantes da França, Bolsonaro vai a evento sobre submarino franco-brasileiro


postado em 11/10/2019 19:54

O presidente Jair Bolsonaro participou nesta sexta-feira (11) da cerimônia de conclusão da montagem do submarino Humaitá (SBR-2), produzido em parceria com a França, que não contou com representantes do governo francês, um reflexo do afastamento entre os dois países.

No evento, realizado na Base Naval de Itaguaí, Bolsonaro esteve acompanhado de vários ministros, mas nem o embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, ou o cônsul-geral, Jean-Paul Guihaumé, compareceram.

"Desde que foi anunciada a presença do presidente Bolsonaro, a instrução dada por Paris foi de que não haveria qualquer diplomata", disse à AFP uma fonte do Itamaraty.

No entanto, estiveram presentes na cerimônia representantes do Naval Group, grupo industrial naval francês que trabalha com a Marinha do Brasil neste ambicioso programa de construção de cinco submarinos, um deles com propulsão nuclear.

Em dezembro de 2018, a primeira embarcação, o "Riachuelo", foi lançado ao mar.

Durante o evento, Bolsonaro acionou uma alavanca que marcou o início da união das cinco seções do submarino, cuja entrega está programada para 2022.

"Temos inimigos dentro e fora do Brasil. Os de dentro são os mais terríveis. O de fora, nós venceremos com tecnologia, disposição e meios de dissuasão", discursou o presidente.

As relações entre França e Brasil ainda estão afetadas pela crise internacional devido ao aumento de incêndios na Amazônia, o que gerou uma onda de críticas de líderes mundiais, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, contra Bolsonaro.

Macron acusou o presidente brasileiro de mentir sobre seus compromissos com o meio ambiente e pediu a "internacionalização" da Amazônia, o que foi interpretado por Bolsonaro como uma ofensa à soberania do país.

"Quando o Brasil sofria um ataque sobre a dúvida da soberania na Amazônia, eu tive a grata satisfação de, em nome do Brasil, ir na ONU falar para todo o mundo que a Amazônia é nossa e que é patrimônio do Brasil. Mas para garantirmos isso, precisamos de meios: homens e mulheres preparados e com vontade de servir a sua pátria. O destino do nosso Brasil, quem o fará seremos todos nós, juntos e unidos", afirmou o presidente.

"Lá fora, cada vez mais pensam em nos colocar em uma situação de colonizados. Não permitiremos isso, porque acreditamos no povo brasileiro", acrescentou, sem mencionar Macron, a quem acusou recentemente de ter "uma mentalidade colonialista".

Após dez anos da assinatura do acordo com o grupo francês DCNS (agora Naval Group), num contrato de 6,7 bilhões de euros, o Brasil começa a modernizar sua frota de submarinos.

O submarino "Humaitá" tem 72 metros de comprimento e pesa 1.800 toneladas. Está equipado com torpedos e mísseis, conta com uma autonomia de navegação de 70 dias e pode transportar 35 tripulantes.

Os cinco submarinos previstos em contrato substituirão os outros cinco que que estão em atividade, construídos em colaboração com a Alemanha entre 1980 e 1990.


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